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Chegou a vez do coach para estudantes universitários

por: Afonso Bazolli
em: Gestão
fonte: Valor Econômico
16 de julho de 2017 - 14:00

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Por: Emma Jacobs

Certa manhã, Madeleine Kasson recebeu um e-mail de um estudante universitário, enviado às 5 horas da manhã. “Por favor, escreva meu trabalho – preciso entregar hoje”, pedia ele. Ela recusou o pedido, como faz com todos os estudantes que solicitam esse tipo de coisa. Esse é um engano comum sobre seu trabalho como tutora particular de alunos universitários.

Esse novo tipo de serviço dedicado aos universitários e até mesmo aos alunos de pós-graduação vem crescendo no Reino Unido, ainda que sejam poucos os profissionais que se dedicam a isso. Alguns chegam a ajudar diplomados a concorrer a empregos em bancos e consultorias. EddStockwell, cofundador da Tutorfair, uma organização sem fins lucrativos que também presta serviços de tutoria a crianças cujos pais não podem arcar com os preços, diz que o número de pedidos no nível de licenciatura dobrou no último ano. Já Luke Shelley, diretor da TavistockTutors, diz que seus serviços para universitários vêm crescendo “rapidamente” nos últimos anos.

Adam Caller, fundador da TutorsInternational, conta um caso em que um pai forçou sua filha a se matricular em um curso de administração – em vez de sua escolha original, que era inglês -, desejando que algum dia ela assumisse os negócios da família. Para treiná-la em um assunto no qual ela tinha pouco interesse, o tutor deu aulas durante cinco horas por dia, cinco dias por semana, durante três anos. A conta chegou a mais de 400 mil libras.

Duncan Bull, 29, formado pela Universidade de Cambridge com PhD em bioquímica médica, descobriu que oferecer tutoria a um aluno da universidade em que estudou é uma coisa boa demais para resistir. Ele precisava de dinheiro antes de começar o treinamento para se tornar um advogado de patentes. Durante quatro meses, morou com o estudante em um flat comprado pelos pais deste, fornecendo seis horas de orientações por dia em troca de 3 mil libras por semana.

O estudante buscou ajuda, diz Bull, porque havia subestimado a intensidade do curso e o fato de estar vivendo longe de casa. “Ele tinha problemas com a vida universitária. Ter alguém segurando sua mão o ajudou a superar os obstáculos e agora ele está progredindo.”Caller diz que essas dificuldades não são incomuns. “Um estudante pode ser imaturo aos 18 anos, além de ter problemas por estar vivendo longe de casa.”

Madeleine Kasson, psicóloga formada pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e posteriormente por Cambridge, acredita que a expansão se deve em parte à diminuição do estigma em torno das aulas particulares. “As pessoas tinham um apoio mais próximo na escola e agora também procuram por isso na universidade.” Ela cobra, pelo menos, 80 libras, mais impostos, por hora. Para Caller, outro motivo para o crescimento da demanda é que pessoas menos preparadas estão sendo aceitas pelas instituições de ensino. “Estudantes que historicamente não teriam chance agora estão entrando nas universidades, e eles não conseguem dar conta do recado.”

Max Mills é tutor de estudantes de direito enquanto aguarda para iniciar seu estágio. O jovem de 23 anos, formado em direito por Oxford e com mestrado pela London SchoolofEconomics, diz haver três tipos de estudantes. O primeiro engloba aqueles que acham o volume de material abordado – e o ritmo – esmagador. O segundo é o que precisa de ajuda ocasional para entender conceitos legais. Depois, há os universitários que buscam aconselhamento em tarefas como composições ou dissertações. Eles entendem as aulas, mas têm problemas para elaborar um argumento claro e bem estruturado. “Minha orientação nesses casos envolve mais o processo de apresentar o que eles sabem e o que querem discutir.”

Segundo ele, alguns tutorados são abertos em relação ao auxílio que recebem e até recomendam seus serviços para os colegas. Outros, no entanto, pedem um encontro discreto em um café, por temerem ser descobertos. Os tutores discordam da ideia de que estão mimando os universitários. “Não fazemos os trabalhos para eles. O objetivo é fazer as pessoas entenderem o conteúdo do curso. Elas devem ser bem ensinadas para que aprendam”, diz Caller.

Ursa Mali, 24, formada por Oxford com pós-graduação por Cambridge, é tutora quando está fora de sua ocupação principal de pesquisadora de consumo. Ela trabalha pelo dinheiro extra, mas também por sentir falta da vida acadêmica. Às vezes, Ursa ajuda universitários a concorrer a empregos em bancos. “Admitir que você tem um ponto fraco é admirável. A maioria de meus tutorados quer trabalhar duro.”

Os alunos tendem a ser ricos, mas nem todos os pais que pagam pelos serviços são “oligarcas”, diz Duncan Bull. “Eles estão abrindo mão de parte de seus salários para que seus filhos se saiam bem.” Na opinião de Ursa, são os pais que sustentam o negócio nos cursos de graduação. “Às vezes, penso se as crianças não seriam mais bem-sucedidas se tivessem a permissão para fracassar de vez em quando.”

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