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16 de dezembro de 2025 - 17:12

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Instrumento de securitização ajuda a gerar liquidez, escalar crédito e diversificar fontes de financiamento

No cenário brasileiro, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) emergem como um dos mecanismos mais utilizados pelas fintechs e empresas financeiras para acelerar o crescimento de suas operações de crédito. Apesar de ainda pouco compreendido fora do setor, esse instrumento pode ser decisivo para gestão de liquidez, antecipação de recebíveis e mitigação de risco, especialmente em um país onde o estoque agregado de securitização (FIDCs, CRIs e CRAs) ultrapassa R$ 1,05 trilhão, com aumento de cerca de 30% no último ano, segundo levantamento da Uqbar.

Os FIDCs são fundos de investimento que aplicam a maior parte de seus recursos em direitos creditórios, ou seja, créditos que empresas têm a receber, como duplicatas, faturas ou contratos. De acordo com a B3, o objetivo é permitir que companhias e instituições financeiras transformem seus recebíveis em liquidez imediata, viabilizando a ampliação do crédito e a diversificação de fontes de financiamento.

Para fintechs, que operam com recursos limitados e buscam escalar operações com eficiência, os FIDCs representam um caminho estratégico. Neles, a fintech pode ceder seus recebíveis futuros ao fundo em troca de capital imediato, liberando caixa para expandir sua carteira de crédito. Em outras palavras, os direitos creditórios são transformados em liquidez hoje, permitindo maior previsibilidade e capacidade de investimento.

O mercado, porém, também enfrenta desafios. Segundo dados da Uqbar, parte expressiva dos FIDCs ligados a fintechs, que somavam R$ 65,5 bilhões, apresentou taxa média de inadimplência de 9,5% em janeiro de 2024, reflexo de um cenário macroeconômico ainda pressionado e do aumento da inadimplência entre consumidores.

Para Rafael Franco, CEO da Alphacode, os FIDCs são instrumentos estratégicos de financiamento para as fintechs que desejam escalar crédito com segurança e autonomia. Ele explica que a Alphacode atua como parceira tecnológica nesses processos. “Desenvolvemos plataformas que automatizam a gestão das carteiras cedidas, o controle de risco e a integração com gestores de FIDC, reduzindo burocracia e garantindo governança robusta para toda a operação”, afirma.

Franco destaca que, em um ambiente de diversidade de fontes de crédito, as fintechs precisam de sistemas que processem grandes volumes, façam due diligence automática e gerenciem fluxos entre cedente e fundo. “Sem tecnologia, a operação de um FIDC acaba sobrecarregada por planilhas e processos manuais, o que reduz eficiência e transparência. A automação é o que permite que o modelo se torne escalável e sustentável”, explica o executivo.

Os FIDCs são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sob a Instrução CVM 356, que define parâmetros de elegibilidade de ativos, divulgação de informações e limites de exposição ao risco. A segurança jurídica do modelo tem atraído investidores institucionais e contribuído para o crescimento da securitização como alternativa de financiamento no mercado brasileiro.

Para fintechs e empresas de tecnologia financeira, o avanço dos FIDCs reforça uma tendência de maturidade do setor. Quando estruturados com apoio tecnológico e sistemas integrados, esses fundos não apenas ampliam o acesso ao capital, mas se tornam ferramentas de gestão estratégica para expansão sustentável. “A combinação entre regulação sólida e tecnologia eficiente cria o ambiente ideal para o crescimento do crédito digital no país. É nesse ponto que atuamos, ajudando fintechs a transformar complexidade em escalabilidade”, conclui Rafael Franco.

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