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20 de janeiro de 2026 - 17:12

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O Itaú quer aproveitar a migração de latino-americanos para a Europa, diz o diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira, em entrevista exclusiva ao ‘Estadão/Broadcast’

O Itaú Unibanco acaba de ultrapassar a marca inédita de R$ 1 trilhão em recursos geridos no segmento Private, antecipando em cerca de dois anos a meta prevista para 2027.

Líder no Brasil, com mais de 30% desse mercado, o maior banco da América Latina em ativos se prepara agora para expandir sua operação na região a partir de 2026 e também na Europa.

“Uma vertente em que vamos investir fortemente, a partir de 2026, é a presença nos países latino-americanos fora do Brasil. Já estamos nesses mercados, mas há grande potencial para fortalecer o private banking na região”, diz o diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast.

De acordo com ele, os países em que o banco tem maior “foco e peso” são Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Argentina. “Temos uma ambição de ser muito relevante nesses países”, afirma. “Miami continua sendo o principal destino do latino-americano”, reforça o executivo.

O objetivo do Itaú é replicar o modelo de negócios praticado no Brasil em outros países da América Latina. Atualmente, a operação na região é um pouco mais fragmentada. Do R$ 1 trilhão gerido no Private do Itaú, 71% dos recursos captados vêm do Brasil e 29% do exterior.

O impulso para atingir o trilhão resultou da combinação de três frentes: regionalização, internacionalização e uma visão global integrada das áreas de investimentos e banking no Brasil e no exterior (on e offshore). No entanto, essa visão holística do cliente ainda não foi adotada plenamente na América Latina, segundo Moreira.

“A maioria dos clientes de alta renda de países da região já mantém a sua riqueza fora do país. Hoje, olhamos muito para os recursos que estão fora e menos holisticamente para o que tem dentro”, explica o executivo.

Apesar disso, ele diz que não existe uma “bala de prata”. Segundo Moreira, o reforço da operação de Private do Itaú na América Latina pode variar de país para país e ocorrer por meio de diferentes estratégias como, por exemplo, aumento de equipe, maior foco ou dedicação. “Estamos olhando país por país, desenhando uma estratégia para cada um deles”, afirma.

Europa

O Itaú também quer expandir a operação Private na Europa, aproveitando a migração de latino-americanos para o continente, segundo o chefe da área internacional do banco.

“Muitos clientes latino-americanos fizeram ou estão fazendo migração fiscal para fora dos seus países de origem. Queremos estar próximos desses clientes, que muitas vezes já são nossos clientes no Brasil”, diz o executivo.

O banco monitora países como a Itália, onde ainda não possui presença física, e pretende usar o suporte da operação na Suíça. Em 2025, o Itaú abriu o maior número de contas no país em toda a sua história. Além disso, no ano passado, o banco criou uma célula comercial em Portugal.

Já na estratégia de regionalização, o Itaú abriu seis novos escritórios desde 2022 em Bauru (SP), Fortaleza, Goiânia, Brasília, Salvador e Blumenau. Também reforçou o seu time global de Private, com a contratação de mais de 140 pessoas nos últimos dois anos, com executivos vindo de casas como Julius Baer, Citibank, Deutsche Bank, e JPMorgan.

Na vertente de investimentos, o banco firmou uma parceria exclusiva com a Brown Advisory na América Latina, para atuar sobretudo no Brasil. Com US$ 174,5 bilhões em ativos sob gestão, a casa americana é referência na gestão independente de ativos menos líquidos. Conforme Moreira, o banco tem feito um trabalho de educação junto ao cliente brasileiro.

Quanto à operação do Itaú nos EUA, o executivo diz que o banco tem um plano de expansão de médio e longo prazo, alinhado à demanda crescente dos clientes. Em sua visão, o brasileiro ainda mantém muita riqueza no País e há potencial para ampliar a fatia de recursos destinada aos EUA, tanto que a concorrência de bancos nacionais tem crescido no mercado americano. “Vemos uma vontade muito grande do brasileiro de ter algum tipo de presença nos EUA”, conclui Moreira.

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