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01 de fevereiro de 2026 - 12:12

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Consumidores poderão criar ‘robôs’ capazes de fazer pesquisas de preços e executar transações de forma automática

Compras feitas com agentes de inteligência artificial (IA) devem revolucionar a indústria de pagamentos no futuro próximo. A ideia é que os consumidores possam criar “robôs” que executem tanto compras do dia a dia, de menor valor, quanto operações com tíquetes maiores.

A expectativa é que o Brasil seja um dos mercados pioneiros no chamado “comércio agêntico”. O país tem um dos sistemas de “open finance” mais amplos do mundo, um elevado índice de transações tokenizadas nos cartões — aquelas em que os dados da credencial são substituídos por um token único – e uma população digitalizada e que gosta de testar novas tecnologias.

Nesse tipo de compra, ainda não disponível para os usuários, os agentes de IA ficam pesquisando, por exemplo, passagens aéreas com desconto e, quando encontram algo dentro dos parâmetros estabelecidos pelo comprador, emitem um alerta ou fazem até a compra automaticamente (se o cliente assim programar).

Transações rotineiras, como comprar os alimentos da semana, também podem ser automatizadas. Interligado com uma geladeira “smart”, o agente poderia ver o que está faltando e enviar o pedido ao mercado habitual do cliente, com a encomenda sendo destinada para o endereço desejado.

Por serem as líderes dos arranjos de pagamentos, as bandeiras de cartão estão coordenando esse processo de compras feitas por agentes de IA. O setor se prepara para lidar com questões de segurança e privacidade, garantindo que os agentes sejam reais – e não uma tentativa de ataque hacker – e que o usuário não caia em golpes, como fazer a compra em um site não confiável e depois o produto não ser entregue.

O cenário pode parecer filme de ficção científica, mas especialistas apontam que a revolução trazida pela IA tem tido uma adoção muito mais rápida que outras tecnologias. As compras feitas por agentes devem se tornar realidade já neste ano.

“As compras por agentes de IA também vão trazer volumes novos para o segmento de cartões”

— Ricardo Granados

Ricardo Granados, sócio-diretor da consultoria Consulcard, diz que a IA representará uma revolução para a indústria de pagamentos, aumentando taxas de conversão de vendas, combatendo fraudes e melhorando a experiência do usuário. “As compras por agentes de IA também vão trazer volumes novos para o segmento de cartões, porque as pessoas vão ter um agente tecnológico atuando no backoffice das suas vidas. E vai trazer pessoas que não estavam incluídas na indústria financeira, ou estavam apenas na margem”, diz.

Para Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard no Brasil, as compras feitas por agentes de IA são uma das principais tendências em 2026. “Os agentes vão ter acesso a algumas informações pessoais sobre o cliente, sobre o perfil de navegação, suas preferências. E isso facilita a vida desse agente para personalizar as ofertas. É uma forma de você ter uma inteligência artificial te ajudando a comprar um produto que esteja mais alinhado com as suas expectativas. Esses agentes vão ser certificados para poder operar utilizando os cartões da Mastercard, para ter as regras, toda a infraestrutura de segurança.”

Pesquisas encomendadas pela Mastercard apontam que cerca de 40% dos consumidores entrevistados na América Latina se sentem confortáveis com agentes de IA tomando decisões por elas, inclusive de compras, e esse porcentual é ainda maior entre os mais jovens. Já a Visa fez um levantamento em parceria com a Morning Consult que mostra que quase 70% dos brasileiros já usaram IA para alguma tarefa relacionada a compras e cera de 80% considerariam delegar uma tarefa de compra à IA, especialmente para encontrar os melhores preços. A consultoria americana Edgar, Dunn & Company estima que o comércio agêntico global pode atingir US$ 1,7 trilhão em 2030.

A bancária Caroline Torres, de 25 anos, diz que já usa ferramentas de IA para fazer pesquisas sobre produtos que deseja comprar. “Na Black Friday, por exemplo, estava de olho em um fone de ouvido e usei o ChatGPT para ver se aquele preço era realmente vantajoso”, afirma. Ela diz que estaria disposta a fazer compras usando agentes de IA, mas não de forma automática, ou seja, o “robô” teria de pedir sua confirmação final antes de executar a transação. “A parte de viagens, passagens aéreas é uma que me interessa muito. Eu usaria sim um agente de IA, mas tenho um pouco de receio com segurança, não vou mentir. Não é em toda ferramenta de IA que confiaria para colocar os dados do meu cartão.”.

Leandro Garcia, diretor executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, diz que o uso de agentes de IA para compras é um dos principais focos da companhia e lembra que a bandeira lançou recentemente, em fase experimental, o Visa Intelligent Commerce, que justamente ajuda a habilitar as IAs para que elas possam ter a capacidade de receber o comando de compra.

O executivo ressalta que a segurança é muito importante e várias formas de autenticação estão sendo testadas, aproveitando as funções habilitadas no dispositivo do usuário. Além disso, é preciso garantir que a IA não “alucine”, ou seja, faça algo que não foi pedido pelo consumidor.

“Recentemente tive de comprar um computador para a minha filha e pesquisei tudo pela IA. É muito rápido. Hoje você ainda tem de sair daquele ambiente e abrir o site em que vai comprar, mas muito em breve um agente de IA vai fazer isso por você”, afirma.

A tecnologia também poderá ser usada em compras recorrentes, como a ração do cachorro, por exemplo. Segundo Garcia, nos últimos anos, a Visa se dedicou ao avanço da tokenização das transações e hoje o Brasil está na vanguarda. “Vamos chegar a um cenário em que tokenização e autenticação deixarão o comércio eletrônico cada vez mais seguro.”

Única bandeira de cartões brasileira, a Elo diz que pode se beneficiar do conhecimento do mercado local para atender as necessidades dos clientes. “Temos uma grande capacidade de entender a configuração local, as regulações, e as características socioeconômicas”, afirma Eduardo Merighi, vice-presidente de tecnologia da bandeira.

O executivo diz que a configuração do agente de IA não precisa ser necessariamente feita por uma ferramenta de LLM, mas poderia utilizar o ambiente do WhatsApp, tão popular no mercado brasileiro

“Estamos testando algumas jornadas, e sempre utilizamos o parâmetro da ‘omnicanalidade’. Outra opção seria fazer a etapa de autenticação dentro do internet banking, por exemplo. O uso de agentes de IA para realizar compras não é simplesmente uma mudança tecnológica, é uma disrupção na experiência de pagamentos. E isso vai começar pela ponta, quem vai puxar é o consumidor final.”

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