Jan
27

Comprometimento de renda das famílias é recorde

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
26 de janeiro de 2026 - 17:12

Comprometimento-de-renda-das-familias-e-recorde-televendas-cobranca-1

Indicador atingiu em outubro maior patamar da série histórica do Banco Central

Em trajetória de elevação desde o início de 2024, o comprometimento de renda das famílias atingiu em outubro o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. No mês retrasado, o indicador atingiu 29,4%, conforme divulgado na sexta-feira pela autoridade monetária. O recorde é válido até quando se desconsidera o financiamento imobiliário, chegando a 27,2%.

Em uma definição simplificada, o comprometimento mede a relação entre quanto as famílias gastam de sua renda disponível para pagar o serviços das dívidas que têm. O aumento do comprometimento de renda é resultado de uma dinâmica forte do mercado de crédito nos últimos anos e taxas de juros elevadas. O crédito vinha registrando crescimento intenso, mas está desacelerando desde o segundo trimestre deste ano. Em novembro, a taxa de crescimento do saldo em 12 meses foi de 9,5%, a primeira vez em que ficou abaixo de 10% desde maio de 2024.

Os juros cobrados no sistema financeiro continuam subindo, acompanhando a política monetária restritiva conduzida pelo Banco Central. A última vez em que a taxa básica de juros ficou abaixo do patamar de 10% foi em dezembro de 2021. A Selic está em 15% desde junho deste ano e a taxa média de juros do sistema financeiro chegou a 31,9% ao ano em novembro. Em dezembro de 2024, estava em 28,5% ao ano.

Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, destacou que há uma combinação de aumento das taxas de juros e desaceleração do crescimento do rendimento real da população. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Continua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a massa de rendimento real habitual no mercado de trabalho no terceiro trimestre ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas foi recorde em R$ 354,6 bilhões.

“Apesar de estar crescendo acima da inflação, o rendimento real vem desacelerando na margem, e isso tem aumentado o comprometimento. É uma perspectiva bastante ruim, que deve manter a inadimplência pressionada, gerando preocupação para os bancos”, disse o economista.

Em relatório, o diretor de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, também destacou o comprometimento de renda chegando ao nível recorde em outubro. Segundo ele, a perspectiva é de desafio para as condições de crédito, com condições monetárias apertadas e crescimento moderado. Por outro lado, fatores como concessões de empréstimos por bancos públicos e programas do governo que facilitem o crédito podem suavizar o ciclo.

Assim como o comprometimento de renda, o endividamento das famílias vem subindo nos últimos meses e chegou a 49,3% em outubro, maior valor desde novembro de 2022.

O chefe-adjunto do departamento de estatísticas do BC, Renato Baldini, afirmou que essa informação pode ser analisada por duas óticas diferentes. De um lado, um endividamento excessivo pode indicar risco para a saúde financeira da população. Do outro, também pode ser um reflexo de maior acesso ao crédito. “O nível de endividamento nada mais é do que uma relação entre volume de crédito para as famílias destinado a consumo ou ao investimento em habitação em relação à renda obtida”, afirmou em entrevista à imprensa na sexta-feira.

Para 2026, Kautz, da EQI Asset, afirmou que o mercado de crédito pode ter o efeito de duas forças contrárias. A primeira seria o início da redução da taxa Selic, que pode contribuir para que haja alívio na inadimplência e do comprometimento de renda. A inadimplência ficou em 3,8% em outubro e vem variando em torno deste patamar desde julho. Por outro lado, se antecipa um enfraquecimento do mercado de trabalho. “[O saldo] vai depender muito da intensidade desses movimentos”, destacou.

Para 2026, o BC projeta crescimento de 8,6% do saldo total de crédito bancário, abaixo dos 9,4% estimados para 2025.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail: