Feb
12

FIDCs: o que avaliar antes de investir

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
11 de fevereiro de 2026 - 17:11

Fidcs-o-que-avaliar-antes-de-investir-televendas-cobranca-1

É sempre importante avaliar se o investidor está preparado para o tipo de risco de um FIDC

Se há uma categoria na indústria de fundos que ganhou destaque nos últimos anos, sem dúvida, é a dos Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). Criada com base nos conceitos de antecipação de recebíveis, a indústria de FIDCs nasceu com o propósito de ampliar as alternativas de crédito. Por meio desses fundos, empresas de diferentes portes e segmentos acessam o mercado de capitais e encontram alternativas ao crédito bancário, obtendo recursos para diferentes fins.

Apesar de existirem há mais de duas décadas, até 2023, somente investidores qualificados, ou seja, essencialmente pessoas físicas e jurídicas com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras ou com certificações específicas, estavam autorizados a investir em FIDC. Naquele ano, a Resolução CVM 175 permitiu o investimento ao público em geral, destravando um volume de recursos expressivo nesse mercado. Vale ressaltar que a CVM, adequadamente, estabeleceu alguns requisitos para que o público em geral acesse os FIDCs, dentre eles, investimento apenas em cotas seniores, com classificação de risco e cronograma para amortização de cotas ou distribuição de rendimentos, visando a proteção desse tipo de investidor.

Seja por conta da Resolução CVM 175 ou por um amadurecimento do próprio mercado, o fato é que, desde 2023, o patrimônio líquido (PL) dos FIDCs cresce de forma exponencial, conforme dados da Anbima. Em 2012, dez anos após a criação do primeiro FIDC, o PL da categoria somava R$ 150 bilhões. Em 2022, chegou a R$ 344 bilhões e, em 2025, até o final de novembro, acumulava R$ 727 bilhões, ultrapassando categorias como a dos fundos de ações.

É importante ressaltar que, mesmo com a taxa de juros elevada, a captação líquida dos FIDCs está em alta. Nos 12 meses encerrados em novembro, a captação líquida dos FIDCs somava R$ 65,2 bilhões. Trata-se do maior volume da indústria de fundos, superando inclusive os fundos de renda fixa (R$ 48,7 bilhões). De janeiro a novembro de 2025, os fundos de renda fixa lideraram (R$ 162 bilhões), mas os FIDCs ocuparam a segunda posição (R$ 54,9 bilhões), de acordo com a Anbima.

Quando falamos na expansão e perspectivas para os FIDCs, precisamos ressaltar também algumas particularidades do mercado de crédito no Brasil. Dados do Banco Central mostram que o saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional somava, no final de outubro, R$ 6,693 trilhões. Enquanto isso, as operações de securitização, incluindo CRIs, CRAs e direitos creditórios nas carteiras dos FIDCs, totalizavam R$ 1,194 trilhão. Ou seja, em um mercado próximo de R$ 8 trilhões, a securitização representa apenas 15%. No mercado global, o cenário é inversamente proporcional. Nos Estados Unidos, por exemplo, estatísticas indicam que as operações de crédito realizadas via instituições financeiras caíram ao longo dos anos e estão em torno de 20%. Nessa comparação, podemos dizer que, no Brasil, os FIDCs já cresceram e ainda há muito espaço para avançarem.

A entrada do investidor em geral neste mercado é uma tendência e um dos pilares desse cenário. No entanto, é sempre importante avaliar se o investidor está preparado para o tipo de risco de um FIDC. Ao ingressar nesse mercado, o investidor passa a ter contato com o chamado risco de crédito privado, que, por sua vez, possui características específicas e distintas de outras categorias de risco, comuns em aplicações financeiras. Os cuidados também envolvem avaliações mais precisas sobre prazo, liquidez e diversificação de carteira. Ou seja, o investimento deve ser feito com a diligência correta.

Se, após essa avaliação prévia, o investidor decidir direcionar parte do seu patrimônio para um FIDC, ele também terá de escolher entre uma ampla variedade de estruturas de FIDCs. Há o monocedente ou monossacado; multicedente ou multissacado; fundos focados em um segmento ou um tipo de ativo etc.

Entender todos esses conceitos e a dinâmica do investimento é o primeiro passo para avaliar se o fundo está alinhado com o perfil e os objetivos do investidor. Outros aspectos relevantes envolvem avaliar se o originador do recebível está relacionado como prestador de serviços do FIDC, se a carteira de recebíveis é pulverizada e se a gestora do FIDC é sólida e consolidada no mercado.

A presença do investidor em geral é essencial para a continuidade da trajetória de crescimento dos FIDCs, mas esse crescimento precisa vir acompanhado da disseminação de informações, do esclarecimento da dinâmica e da transparência na gestão dos fundos da categoria. Essas etapas são primordiais para um investimento consciente e bem-informado.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail: