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24 de fevereiro de 2026 - 17:12

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Foco será em indústrias com faturamento entre R$ 200 milhões e R$ 1 bilhão

Na esteira do forte avanço do crédito privado no país, Rafael Nakamoto deixou o cargo de diretor financeiro das controladas da B3 para lançar a Vitório, fintech que captou R$ 25 milhões entre equity e funding dedicado a fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), com foco em indústrias com faturamento entre R$ 200 milhões e R$ 1 bilhão. Segundo ele, a ideia é transformá-las no banco de seus distribuidores. “Quem dá crédito vende 30% mais”, diz ele.

Atualmente, explica, essas indústrias já fazem isso de maneira informal, com prazos maiores e assumindo riscos e custos de maneira ineficiente, numa estrutura à parte das grandes instituições financeiras. Nakamoto dá o exemplo de uma indústria química que fica com R$ 100 milhões de capital de giro parados ao dar 40 dias de prazo para seus distribuidores. Via FIDCs, o prazo concedido ao distribuidor pode, por exemplo, subir de 40 para 80 dias.

Ele explica que o crédito pode ser visto como um circuito aberto, ou seja, sem conhecer o uso do dinheiro e que é preciso ser grande para dar, e o fechado, caso do crediário, em que o empréstimo é feito para compra com o próprio credor, modelo antigo e sempre lucrativo para o varejo. A ideia de Nakamoto é avançar no relacionamento com as empresas, numa espécie de “circuito fechado ampliado”, centralizando serviços bancários com a Vitório, como maquininha de cartão, desconto de recebível, plano de saúde e crédito consignado, com a marca da própria indústria.

Ele destaca o bom momento para os FIDCs, cujo patrimônio saltou de cerca de R$ 600 milhões em dezembro de 2024 para R$ 800 milhões no ano passado, o que atraiu mais recursos para a Vitório, levantados junto a family offices e investidores profissionais.

É a sétima empreitada de Nakamoto, um empreendedor serial. Em 16 anos foram seis empresas vendidas a mais de R$ 1 bilhão, sendo a mais recente a Neurotech, empresa de inteligência artificial pela qual a B3 pagou R$ 1,1 bilhão. Após a transação coma bolsa, ele assumiu o cargo de CFO de oito controladas para passar o bastão da empresa e consolidar as operações, que somam R$ 4 bilhões.

Entre seus projetos anteriores está a Bacio di Latte, que saiu em 2016 de menos de 10 lojas para quase 180 unidades próprias, incluindo a entrada no mercado dos Estados Unidos e elevando a receita a cerca de R$ 1 bilhão anual. Outro exemplo é a Conductor, atualmente denominada Dock, co-fundada pela TMG Capital, da qual Nakamoto era sócio, com 70% de participação e vendida para a Riverwood, o que a posicionou entre as maiores empresas de banking as a service (BaaS) do mundo.

Ele conta que é uma espécie de receita de bolo, que é entrar no início, sem, portanto, pagar caro e fazer gestão ativa, com execução de grandes tacadas por negócio que mudam a velocidade do crescimento, mirando evento de liquidez. “Construímos poucos cases, mas de grande sucesso”, resume. Ele ficará à frente da gestão da Vitório e o objetivo é vender a operação em um prazo de três a cinco anos.

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