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Grandes bancos devem ter lucro de R$ 26,7 bilhões

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
05 de fevereiro de 2026 - 17:12

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Alta ainda firme do crédito e inadimplência sob controle ajudam, mas investidor ficará de olho nas projeções para 2026

Os grandes bancos privados de capital aberto devem apresentar crescimento no lucro do quarto trimestre, com o crédito ainda firme – embora em desaceleração – e um aumento contido das provisões. A exceção deve ficar por conta do Banco do Brasil (BB), que ainda tende a se mostrar penalizado pela inadimplência no agronegócio.

Além dos resultados em si, os investidores estarão de olho nas projeções (“guidance”) que serão fornecidos pelos bancos para este ano, diante do esperado ciclo de queda da Selic e do desempenho geral da economia, tendo em vista as eleições presidenciais.

Segundo a soma da média de estimativas de oito casas consultadas pelo Valor, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e BB devem registrar, juntos, um lucro de R$ 26,703 bilhões no quarto trimestre de 2025. Se confirmado, o resultado representa alta de 3,2% em relação ao terceiro trimestre e retração de 9,5% ante os últimos três meses do ano anterior, puxada pelo BB. A temporada começa na quarta-feira, com as divulgações de Santander e Itaú.

De forma geral, os analistas consideram que o contexto é positivo para os grandes bancos. Os volumes de crédito estão saudáveis, a inadimplência, sob controle e há crescimento de receitas de tarifas, beneficiadas também pela sazonalidade. Os principais riscos são uma eventual deterioração acelerada na qualidade dos ativos e questões regulatórias que podem afetar índices de capital.

Para Bernardo Guttmann, chefe do setor financeiro da área de análise da XP, deve ser um trimestre “bastante previsível”. “É uma fotografia de resiliência, mas com assimetrias importantes entre os quatro bancos incumbentes”, avalia. Segundo ele, do lado macro, o sistema financeiro ainda se beneficia de um mercado de trabalho “relativamente sólido”, que ajuda a conter a inadimplência, em especial no varejo, embora os juros altos ainda sejam um fator de pressão.

“Esperamos que as instituições financeiras brasileiras divulguem tendências operacionais mistas para o quarto trimestre, mas forneçam uma visão construtiva para 2026, apoiada por juros menores e um cenário de crédito benigno”, dizem os analistas do Bank of America. “O cenário macroeconômico e as projeções iniciais para 2026 indicam, em nossa avaliação, um crescimento de lucros de dois dígitos”, afirma o Itaú BBA.

No fim do ano passado, os CEOs dos grandes bancos apontavam que o cenário para 2026 era de cautela, como sempre acontece em ano eleitoral. No terceiro trimestre, várias instituições registraram provisões para “casos específicos” na carteira de crédito corporativa. Nenhum deles citou nomes, mas entre as empresas com dificuldades nos últimos meses estavam nomes como Ambipar, Braskem e Raízen. De qualquer forma os executivos afirmaram se tratar de situações pontuais e descartaram uma crise de crédito.

As preocupações com essas empresas ficaram um pouco de lado, mas a crise do Banco Master e os desdobramentos das operações Compliance Zero e Carbono Oculto, da Polícia Federal (PF), podem gerar incertezas. Dezenas de fundos estão sendo investigados por possíveis ligações com o crime organizado ou esquemas de fraudes gerados pelo Master, com implicações para empresas listadas, relacionadas principalmente com o empresário Nelson Tanure.

“Sistema se beneficia de um mercado de trabalho sólido, que ajuda a conter piora mais forte da inadimplência”

— Bernardo Guttmann

Além disso, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tendo de desembolsar R$ 47 bilhões para honrar as garantias do conglomerado do Master, será preciso recompor a liquidez do fundo, o que terá um preço elevado para os grandes bancos, que possuem uma base elevada de depositantes. A depender de como será feito esse reembolso, certas instituições podem ter de desembolsar alguns bilhões de reais e fontes do setor não descartam que isso possa ter um impacto no custo do crédito para o consumidor final.

O Itaú deve seguir registrando lucro recorde, com um resultado de R$ 12,172 bilhões, uma alta anual de 14%, na média das projeções. Segundo o Goldman Sachs, a receita de tarifas deve vir forte, beneficiada pela sazonalidade, mas a expectativa é que a margem financeira cresça um pouco menos que a carteira. As despesas devem ficar basicamente estáveis, ampliando a alavancagem operacional. “O ROE [retorno sobre o patrimônio líquido] deverá aumentar para 23,7%, contra 23,3% no terceiro trimestre e 22,1% no quarto trimestre de 2024, e continua sendo a maior rentabilidade da nossa cobertura de bancos tradicionais.”

Na outra ponta, BB deve ter queda anual de 57,8% no lucro, para R$ 4,041 bilhões. A XP aponta que, apesar dos fortes desembolsos relacionados com a MP 1314, que liberou até R$ 12 bilhões para renegociações no agronegócio, o impacto no quarto trimestre será pequeno. Mais uma vez, as áreas “corporate” e agro devem pesar na qualidade da carteira de crédito e limitar a capacidade de geração de lucro.

“A leitura é que a recuperação do Banco do Brasil tende a ser mais lenta e com menos visibilidade no curto prazo”, diz Guttmann. A expectativa é que a recuperação comece no quarto trimestre, mas ainda muito tímida. A visibilidade deve melhorar a partir do segundo trimestre de 2026, com o vencimento de safras originadas em 2025.

O Bradesco, com lucro de R$ 6,410 bilhões (alta de 18,7%), seguirá em recuperação, mas os analistas do Citi apontam que pode haver debate entre os investidores sobre o ritmo. “Esperamos que as tendências do Bradesco mostrem a melhoria gradual definida como meta pelo banco, com a continuidade do avanço estrutural nas receitas. Consideramos que os investidores poderão questionar mais o ritmo de melhoria do que a sua direção, especialmente porque esperamos que o custo do risco marginalmente mais elevado e os investimentos desacelerem o ritmo de expansão.”

No caso do Santander, a previsão é de lucro de R$ 4,080 bilhões, com expansão de 5,8%. Para o Itaú BBA, o banco deve ter crescimento moderado da carteira, impulsionado por fatores sazonais, com expansão anual em torno de 3%, refletindo uma postura mais seletiva. “As margens financeiras com clientes devem permanecer estáveis, enquanto resultados negativos da tesouraria devem pressionar o resultado de intermediação financeira. O custo de risco tende a ficar estável, apesar de leve alta da inadimplência”, diz o banco.

O Nubank – que não entra na soma dos quatro grandes – apresentará lucro de US$ 901,5 milhões, um aumento anual de 47,8%. Em entrevista no fim do ano passado, o fundador e CEO global da fintech, David Vélez, disse que a licença de banco que planeja obter no Brasil não mudará em nada a operação. “O capital é o mesmo, índice de Basileia é o mesmo, a licença de banco [no Brasil] não muda nada”, disse. Segundo ele, o Nubank só fez o pedido ao Banco Central por causa da nova regra segundo a qual quem não é banco não poderá usar “bank” no nome.

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