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Portabilidade de crédito acirra competição

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
03 de março de 2026 - 17:12

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Troca de dívida cara com uso de open finance estreia sob a expectativa de queda na Selic

A portabilidade de crédito via open finance, que permite ao consumidor transferir empréstimos de forma automática e digital, entrou em operação neste mês com o potencial de aumentar a transparência sobre o que é contratado, reduzir a burocracia, agilizar os trâmites e reduzir os juros dos empréstimos.

O lançamento ocorre em um momento estratégico para a economia: com a taxa Selic atualmente em 15% ao ano, a expectativa do mercado é que os juros iniciem uma trajetória de queda a partir de março, podendo encerrar 2026 em 12,25%, segundo o Boletim Focus desta semana.

Esse cenário abre uma janela de oportunidade para que consumidores que contrataram crédito em patamares elevados busquem condições mais baratas em instituições concorrentes, utilizando seus próprios dados financeiros como moeda de troca. Nessa fase inicial, a funcionalidade é restrita ao crédito pessoal “clean”, ou seja, empréstimos sem garantia. O processo passa a ser feito inteiramente pelo aplicativo da instituição que oferece a nova proposta, simplificando a jornada do cliente, que agora detém o controle de suas informações na palma da mão.

Segundo as diretrizes do Banco Central, a migração deve ser concluída em até cinco dias úteis, eliminando a necessidade de deslocamentos físicos, busca por documentos em papel ou idas às agências bancárias. O cronograma prevê que, em novembro, a portabilidade chegue ao crédito consignado para servidores públicos federais. Posteriormente, a ferramenta deve avançar para as demais modalidades de mercado.

“O que muda é que, com dados padronizados, ofertas comparáveis e jornadas digitais mais fluidas, a competição passa a acontecer naquilo que importa ao cliente: preço, prazo, conveniência, transparência e serviço, e não nas barreiras de informação e processo”, afirma Luiz Francisco Monteiro de Barros Neto, diretor de produtos de varejo da Caixa Econômica Federal.

O banco destaca a mudança na experiência do usuário e a redução de prazos para a portabilidade, que segundo Barro Neto, pode levar até dez dias pelo procedimento anterior. “O processo tradicional costuma exigir que o consumidor busque dados do contrato na instituição de origem, com múltiplas interações e etapas manuais que alongam o prazo”, diz o diretor.

“[A portabilidade tem] potencial para aumentar a competitividade no mercado”

— Felipe Soria

Para o executivo, o sistema permite que o dado compartilhado se transforme em ganho real e imediato para o bolso do consumidor, permitindo uma disputa mais direta por melhores condições. A instituição aposta que a visibilidade da economia potencial antes da assinatura do contrato será o principal motor para a adesão ao sistema.

No banco BV, a leitura é que a nova jornada tende a beneficiar os consumidores ao ampliar as alternativas de negociação. Diego Feldberg, head de experiência e canais digitais do banco, avalia que a facilidade de comparação deve pressionar o mercado. “Acreditamos que o mercado deve ficar mais competitivo, o que pode pressionar os juros para baixo, especialmente no crédito pessoal não consignado, primeiro produto contemplado nesta nova jornada”, afirma.

Para Feldberg, o movimento é uma oportunidade de aprimorar as análises e personalizar ofertas utilizando os dados compartilhados sob autorização.

Já o Mercado Pago, mesmo tendo decidido focar primeiro em ferramentas de gestão e inteligência artificial antes de abrir a portabilidade direta de contratos para dentro de sua plataforma, aponta que o sistema eleva o patamar do setor. “É uma inovação importante, com potencial para aumentar a competitividade no mercado e oferecer taxas mais vantajosas aos clientes”, afirma Felipe Soria, head de estratégia de negócios regulados da plataforma.

O ecossistema permanece plural, com bancos tradicionais, digitais e cooperativas atuando com estratégias distintas, mas agora sob um mesmo padrão de dados. Se a queda da Selic se confirmar, a portabilidade poderá se tornar um instrumento importante de alívio financeiro para quem tem empréstimos com juros altos, substituindo a burocracia das agências pela agilidade dos aplicativos e dando mais poder de escolha aos consumidores.

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