Mar
09
08 de março de 2026 - 12:12

Bb-aposta-em-carteira-de-pessoa-fisica-para-melhorar-margem-financeira-televendas-cobranca-1

Diante de conjuntura mais complexa no agro, banco vê agora melhor retorno ajustado ao risco no segmento PF

O Banco do Brasil sempre teve um perfil um pouco diferente dos rivais privados, com sua carteira dividida basicamente em três partes iguais entre pessoa física, pessoa jurídica e agronegócio. Isso lhe garantia, inclusive, uma inadimplência média menor que os rivais, já que as operações no agro têm mais garantias. Agora, no entanto, com uma situação conjuntural bem complexa no campo, o banco estatal quer crescer mais em pessoa física, onde vê um melhor retorno ajustado ao risco.

A projeção (“guidance”) do BB é ampliar sua carteira de crédito este ano entre 0,5% e 4,5%, mas com uma boa diferença entre os portfólios. Enquanto em PF a expansão deve ser de 6% a 10%, em PJ deve ficar entre queda de 3% e alta de 1%; e no agro, entre baixa de 2% e crescimento de 2%, isso mesmo em um ano em que se espera uma nova safra recorde.

No fim de 2025, da carteira total expandida de R$ 1,296 trilhão do BB, 27,5% eram de PF; 35,8%, de PJ; e 31,3%, agro. Dentro da carteira para famílias, 31,3% do portfólio do banco está no consignado público, em que já é muito forte. Nos últimos anos, tem expandido também a atuação no consignado INSS, e em meados do ano passado entrou com força no novo consignado privado lançado pelo governo. Só nessa vertical, já originou R$ 13 bilhões.

Ontem, ao divulgar os resultados do quarto trimestre, a presidente do BB, Tarciana Medeiros, comentou que o banco quer chegar a uma participação de mercado de 20% no consignado privado. Ela lembrou ainda a aprovação da isenção do imposto de renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, “que, na prática, aumentou a renda disponível para milhões e milhões de brasileiros” e vai gerar um espaço para uma expansão de até R$ 28 bilhões em limite de crédito no consignado. “A gente vai buscar o ajuste do fluxo financeiro desses clientes ao longo do ano, mas, na expansão do crédito, traz oportunidades muito interessantes”, afirmou.

O vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, afirmou que a instituição terá uma sala VIP exclusiva no terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, que deve começar a operar em maio, e também outra em Brasília. “Ainda estamos avaliando outras localidades.” A novidade faz parte da estratégia do BB para ampliar a carteira de pessoa física, delimitando o público-alvo, inclusive o alta renda. O banco lançou em novembro um novo cartão premium, o Visa Altus Liv, e também reformulou recentemente o segmento de alta renda, chamado BB Estilo.

Expansão em pessoa física deve ser de até 10%; agro pode ficar entre baixa de 2% e avanço de igual magnitude

“Vamos focar em públicos estratégicos, em perfis de clientes que conhecemos”, comentou Tarciana. Tobias lembrou ainda que o banco começou a permitir, no fim do ano passado, que clientes parcelassem as faturas do cartão de crédito que estão em atraso, seguindo o exemplo de outros bancos que já fazem isso.

No início da pandemia de coronavírus, em 2020 e 2021, o BB, assim como os outros grandes bancos incumbentes e os players digitais, acelerou muito a emissão de cartões, e depois viu um aumento da inadimplência, sendo obrigado a rever essa estratégia de conquistar novos relacionamentos no chamado “mar aberto’.

Questionada sobre esse ponto, Tarciana explicou que o banco será mais conservador desta vez, focando em quem já é cliente da base e especialmente no público de alta renda. “No crédito não consignado, que é onde no passado nós tivemos algumas questões, o foco vai ser em públicos estratégicos.” Mas também emendou com um verso de Lulu Santos: “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”.

Sobre a recomposição do caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após os desembolsos em função do caso Master, Tobias afirmou que a antecipação de cinco anos de contribuição ao fundo deve custar cerca de R$ 5 bilhões ao banco. Além disso, a alíquota extraordinária que o FGC deve cobrar custará mais cerca de R$ 450 milhões ao BB por ano. Segundo ele, todo esse contexto vai gerar uma perda de receita financeira para o setor bancário em geral, “e o regulador está ciente disso”. Ainda assim, ele evitou defender publicamente uma redução dos compulsórios. “Isso tem de ser perguntado à Febraban”, limitou-se a dizer.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail:
Cadastre-se agora e receba em seu e-mail:
  • Notícias e novidades do segmento de contact center;
  • Vagas em aberto das principais empresas de Atendimento ao Cliente;
  • Artigos exclusivos sobre Televendas & Cobrança assinados pelos principais executivos do mercado;
  • Promoções, Sorteios e muito mais.
Preencha o campo abaixo e fique por dentro das novidades: