Mar
19
18 de março de 2026 - 17:12

Boom-dos-fidcs-impulsiona-credito-estruturado-e-turbina-antecipacao-de-recebiveis-publicos-televendas-cobranca-1

Com patrimônio de R$ 741,1 bilhões e base de investidores em forte expansão, fundos de direitos creditórios ganham protagonismo no financiamento da economia real

A indústria de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios atravessa um ciclo consistente de expansão no Brasil. Em dezembro de 2025, o patrimônio líquido da categoria avançou 22,5% em doze meses, alcançando R$ 741,1 bilhões. No mesmo período, o número de contas mais que dobrou, saltando de 147,3 mil para 333,7 mil.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela entrada do público geral, que registrou alta de 1.329,2% após mudanças regulatórias que ampliaram o acesso à classe. Também houve avanço relevante entre investidores qualificados, com crescimento de 145,1%, e entre profissionais, que aumentaram 55,2%. O movimento sinaliza amadurecimento do mercado e consolidação dos FIDCs como alternativa relevante para diversificação, acesso a crédito estruturado e potencial de retorno diferenciado nos portfólios.

Segundo Julya Wellisch, diretora da Anbima, os FIDCs vêm consolidando seu papel no financiamento da economia real. “Os FIDCs cada vez mais vêm consolidando seu papel no financiamento da economia real e ganhando espaço entre os investidores que buscam diversificação. A tendência é de crescimento consistente dessa classe, impulsionada pela ampliação do uso de instrumentos de crédito estruturado, pela eficiência desses veículos na alocação de capital e pelo interesse crescente do varejo”, afirmou.

O avanço dos FIDCs ocorre em um ambiente macroeconômico marcado por juros elevados, menor liquidez e maior seletividade por parte das instituições financeiras. A restrição ao crédito bancário e o custo elevado do capital têm levado empresas, especialmente fornecedoras do setor público, a buscar alternativas para financiar suas operações.

Nesse contexto, a antecipação de recebíveis performados de contratos governamentais ganha relevância. Trata-se, no entanto, de um segmento que exige modelagem de risco distinta daquela aplicada ao varejo ou às pequenas e médias empresas, em razão da natureza orçamentária e administrativa dos entes públicos.

É nesse nicho que atua a Ótmow, fintech especializada na antecipação de recebíveis de contratos públicos. A empresa desenvolveu tecnologia proprietária de inteligência preditiva voltada exclusivamente à avaliação de contratos governamentais. Até o momento, já modelou mais de 180 órgãos públicos, considerando histórico de pagamentos, execução orçamentária e padrões de comportamento dos contratantes.

Com base nessa análise, a fintech afirma conseguir liberar recursos em até 48 horas, mantendo baixa inadimplência nas operações. Segundo Rafael Lima, CEO da companhia, a avaliação de contratos públicos não pode ser padronizada. “Não é apenas antecipar recebíveis performados, mas entender quando, quanto e de quem. Cada órgão tem uma dinâmica própria de pagamento, e ignorar isso leva à má precificação do risco”, diz.

Para o executivo, o uso intensivo de dados reduz assimetrias de informação e amplia a eficiência do crédito. “Crédito caro não é uma condição estrutural, mas o reflexo de risco mal avaliado”, afirma. Na visão da empresa, a combinação entre dados fiscais, tecnologia e histórico de comportamento dos entes públicos pode reduzir perdas, ampliar o acesso ao capital e tornar o financiamento público mais eficiente.

Lima sustenta que, à medida que o mercado amadurece, a inteligência preditiva tende a se tornar elemento central na relação entre governo, fornecedores e financiadores. “Quando o risco é bem mensurado, o crédito flui. Nosso papel é conectar dados, tecnologia e análise para tornar o financiamento público mais eficiente e seguro”, conclui.

Estruturação e governança

Criada com foco exclusivo em recebíveis do setor público, a Ótmow afirma já ter estruturado mais de R$ 60 milhões em operações em dois anos, atendendo fornecedores dos setores de saúde, infraestrutura, tecnologia e educação. A plataforma própria já analisou mais de 160 órgãos públicos e opera com jornada digital voltada às necessidades específicas de empresas que participam de licitações.

A fintech destaca ainda governança, compliance e modelo escalável como pilares da operação. Em um ambiente de maior seletividade de crédito e busca por ativos com lastro previsível, os recebíveis públicos passam a integrar o radar de investidores e gestores que buscam exposição à economia real com modelagem de risco especializada.

Com o crescimento dos FIDCs e a sofisticação das ferramentas analíticas, a tendência é de maior integração entre tecnologia, dados e crédito estruturado, reforçando o papel desses veículos na alocação eficiente de capital no País.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail:
Cadastre-se agora e receba em seu e-mail:
  • Notícias e novidades do segmento de contact center;
  • Vagas em aberto das principais empresas de Atendimento ao Cliente;
  • Artigos exclusivos sobre Televendas & Cobrança assinados pelos principais executivos do mercado;
  • Promoções, Sorteios e muito mais.
Preencha o campo abaixo e fique por dentro das novidades: