
Resultado ficou levemente abaixo das projeções dos analistas ouvidos pelo Valor, que eram de US$ 901,5 milhões
O Nubank registrou lucro líquido de US$ 894,8 milhões no quarto trimestre de 2025, com alta de 13% no trimestre e de 50% em um ano, desconsiderando a variação cambial. O resultado ficou levemente abaixo das projeções dos analistas ouvidos pelo Valor, que eram de US$ 901,5 milhões.
O lucro no ano passado como um todo bateu US$ 2,872 bilhões, aumentando 51%. A rentabilidade (ROE anualizado) foi de 33%, acima dos 31% alcançados no terceiro trimestre e dos 29% no quarto trimestre do ano anterior.
O Nubank chegou a 131 milhões de clientes, com aumento de 3% no quarto trimestre e de 15% em um ano. São 113 milhões no Brasil, 14 milhões no México e 4 milhões na Colômbia.
“No quarto trimestre de 2025, aumentamos nossa escala, aprofundamos o engajamento e expandimos a lucratividade, encerrando o ano com 131 milhões de clientes e 17 milhões de novas adições, enquanto o Arpac [receita média por cliente ativo] atingiu US$ 15. O forte engajamento e a maior monetização impulsionaram receitas trimestrais recordes de US$ 4,9 bilhões”, diz no balanço David Vélez, fundador e CEO global do Nubank.
A receita do banco digital bateu US$ 4,857 bilhões no quarto trimestre, alta de 11% em três meses e de 45% em 12 meses. A margem financeira líquida foi de 10,5% nos três meses encerrados em setembro, ante 10,8% no terceiro trimestre e 9,9% no quarto trimestre do ano passado.
A carteira de crédito total do Nubank atingiu US$ 32,7 bilhões, com expansão de 11% em três meses e de 40% em um ano. Do portfólio total, uma fatia de 67% está em cartão de crédito, 25% em crédito sem garantia e 8% em crédito com garantia. A inadimplência (acima de 90 dias) ficou em 6,6%, de 6,7% e 6,7%, respectivamente. A inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) ficou em 4,1%, de 4,3% e 4,2%.
Guilherme Lago, vice-presidente financeiro do Nubank, diz que a companhia conquistou mais clientes em 2025 do que os cinco maiores bancos incumbentes juntos e se tornou a segunda maior instituição em número de usuários, perdendo apenas para a Caixa. “Chegamos a um ponto em que deixamos de ser uma fintech ‘challenger’ [desafiadora, entrante no mercado], para ter uma posição dominante, mas ainda com crescimento. Temos uma estrutura de capital, de liquidez, de funding muito robusta. É um carro acelerando, com o tanque cheio.”
Segundo ele, o Nubank está animado com as perspectivas para este ano. Apesar do alto endividamento das famílias, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês pode dar um alívio para uma parcela grande de clientes da companhia. “Sazonalmente temos uma melhora na inadimplência no quarto trimestre, e depois uma piora sazonal no primeiro trimestre. De qualquer forma, não temos visto nenhum sinal de deterioração, está tudo em linha com as expectativas.”
Segundo Lago, o Nubank deve apresentar até o fim de março um plano para o Banco Central sobre o que pretende fazer, já que a autoridade proibiu instituições sem licença de banco de utilizar o termo “bank” no nome. O Nubank tem dito que pode pedir uma licença do zero ou comprar um banco pequeno. “Ainda não sabemos qual dessas opções vai ser. Estamos avaliando oportunidades de aquisição no Brasil, mas não tem nada mais avançado.” De qualquer forma, ele afirma que a licença de banco não deve ter impacto significativo em termos de capital ou exigências regulatórias.
Nos Estados Unidos, o Nubank informou no mês passado que recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês) para estabelecer um banco nacional no país. A instituição ainda precisa cumprir várias exigências para obter a aprovação final, além de conseguir aval da Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC) e do Federal Reserve, banco central americano. O grupo espera capitalizar o banco em até 12 meses e iniciar operações em até 18 meses. “Estamos animados com a receptividade dos reguladores americanos em ter o Nubank no país. Não acho que a licença vá sair no primeiro semestre [...] Pelo tempo médio que esse tipo de aprovação leva, seria mais para 2027”, diz Lago.
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