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30 de março de 2026 - 17:12

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Instituição americana, com participação de quase 10% no mercado global nessa área, tem exportado para outros países tecnologias desenvolvidas no país

Em poucos anos, a receita gerada pela área de pagamentos do J.P. Morgan praticamente dobrou. Em 2025, a vertical – que processa quase US$ 12 trilhões por dia, em 160 países – faturou um recorde US$ 19,4 bilhões. O banco americano não divulga detalhes por país, mas o Brasil tem uma parcela nessa história de crescimento. Além de atender grandes empresas brasileiras e companhias globais que operam no país, a subsidiária local também exporta tecnologias desenvolvidas aqui para outras partes do mundo.

A área de pagamentos é liderada pelo alemão Max Neukirchen, que está no J.P. Morgan há 13 anos e já foi estrategista-chefe do CEO do banco, Jamie Dimon. O executivo já esteve dezenas de vezes no Brasil, algumas delas quando trabalhava na consultoria McKinsey, e afirma que o país é um mercado estratégico e polo de inovação do grupo. Segundo ele, soluções desenvolvidas localmente são replicadas em outras regiões. Um exemplo é o uso de QR Code dinâmico no sistema Pix, criado pelo Banco Central.

“O Pix surgiu no Brasil e está conquistando o mundo. Operamos em mais de cem países, mas muitas das inovações que acontecem no Brasil, das soluções que nosso time daqui desenvolve, são implementadas em outros países. Um exemplo é o QR Code usado com o Pix, que agora já é adotado por muitos outros países. Também temos uma equipe muito inovadora que pensa em formas de mudar o ‘onboarding’ [cadastramento] de clientes, alavancadas com inteligência artificial, que estamos exportando para outros países”, diz.

Com participação de quase 10% no mercado global de pagamentos, o J.P. Morgan obtém boa parte da receita dessa vertical de serviços de tesouraria, que inclui gestão de pagamentos e liquidez. É nessa área que ficam grandes companhias. No Brasil, o banco atende nomes como Nubank, Embraer , Minerva, Aliexpress e Tiktok. E a outra área é o processamento de pagamentos propriamente dito, em que o banco é líder na América do Norte e no comércio eletrônico na Europa, e seus principais concorrentes são adquirentes e fintechs que têm surgido.

Neukirchen diz que o J.P. Morgan se beneficia da sua presença global, o que lhe permite ganhar mercado mesmo em alguns nichos de margens mais apertadas ou em áreas onde a competição tem se tornado mais ferrenha. “Quando as empresas nos procuram dizendo que precisam de um parceiro para a América Latina, elas gostam que estejamos presentes em todas as regiões e oferecemos um pacote muito bom. Acho que a maioria dos clientes quer dormir bem à noite quando pensa no seu parceiro. Eles sabem que os pagamentos estão sendo feitos, mas também se preocupam com onde mantém a liquidez das suas empresas”, afirma.

O J.P. Morgan é sócio, no Brasil, do C6 Bank, onde tem uma fatia de 40%. Como fica na vertical de banco de consumo, essa não é a área de Neukirchen, mas o executivo diz que costuma haver interações. “Trabalhamos com todos os nossos parceiros para ver como podemos ajudá-los a crescer e, sabe, se eles possuem alguma capacidade que possamos incorporar ao que fazemos.”

Em 2025, vertical de pagamentos, que processa quase US$ 12 trilhões por dia, em 160 países, faturou um recorde US$ 19,4 bilhões

Dimon chegou a dizer recentemente que procurava por oportunidades na América Latina e o comandante da área de pagamentos não descarta eventuais operações de fusões e aquisições (M&A). “Estamos sempre abertos a qualquer parceria ou conversa sobre M&A. O que isso significa? Na maioria dos casos, estabelecemos uma parceria comercial.”

No fim de 2024, por exemplo, o J.P. Morgan fechou uma parceria com a fintech equatoriana Kushki para fortalecer a infraestrutura de pagamentos digitais na América Latina.

Para o executivo, a escala do J.P. Morgan também ajuda em outros aspectos, como no combate a fraudes. Neukirchen afirma que muitas vezes o banco identifica um novo tipo de golpe em um país e alerta os demais. “Quando penso em nossos fóruns de consultoria com os clientes, a fraude é provavelmente o assunto mais recorrente. No ano passado, globalmente, já em setembro foram registradas mais tentativas de fraude que em todo o ano anterior. Isso mostra como é um desafio proeminente.”

O combate a fraudes é uma das áreas em que o banco tem usado novas ferramentas de inteligência artificial (IA). Para Neukirchen, a revolução trazida pela tecnologia muda tudo, tanto internamente nas operações do banco, como externamente, no relacionamento com os clientes. “A IA está realmente presente em todas as áreas da empresa e veremos os resultados ao longo do tempo. É transformador. Vejo isso também como uma oportunidade fantástica, porque quando olho para o mundo e para o que queremos fazer, há muitas áreas inexploradas, produtos adicionais que eu gostaria de desenvolver, e se a IA puder ajudar a chegar lá de forma melhor, mais rápida e mais barata, é uma oportunidade fantástica.”

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