
Crescimento de receita sem disciplina operacional também pesou
O Brasil encerrou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, o maior número desde o início da série histórica do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, em 2016, acumulando R$ 213 bilhões em dívidas não honradas, com mais de 90% dos casos concentrados em micro e pequenas empresas.
Na comparação com o mesmo mês de 2024, quando o país registrou 6,9 milhões de CNPJs inadimplentes, o aumento foi de aproximadamente 2 milhões de empresas no vermelho. Fabio Rossetto, cofundador e Chief Growth Officer (CGO) da Rossetto & Lorenzi, consultoria gaúcha especializada em criação de valor e resultado, o dado revela um problema estrutural que vai muito além do custo elevado do crédito.
Três fatores juntos levaram esse resultado. “O recorde de inadimplência é um sintoma de três fatores combinados. O custo do crédito alto por muito tempo, o crescimento sem disciplina de capital de giro e a margem corroída por ineficiências e precificação inadequada”, afirma Rossetto, que construiu carreira de 25 anos em consultorias como Deloitte, KPMG e McKinsey antes de fundar a própria empresa.
Ciclo de caixa
Na avaliação do especialista, o problema central está no ciclo de caixa das empresas, que se deteriora silenciosamente mesmo quando a receita cresce. “Na prática, muitas empresas parecem bem pela receita, mas ficam frágeis porque recebem tarde, pagam cedo, carregam estoque e perdem margem com descontos e custo de servir”, destaca.
O consultor defende que empresas em situação de fragilidade financeira precisam de um processo estruturado de virada, e que o primeiro passo é enxergar com precisão onde o dinheiro está sendo perdido. “O que nós fazemos primeiro é um mapeamento rápido e quantificado das alavancas que mais afetam caixa e resultado. Capital de giro, margem, mix de produtos, custos, estrutura de capital. Sem esse raio-x, qualquer plano de recuperação é um chute”, diz.
Governança
Porém, mesmo que o empreendedor aplique essa fórmula as coisas não acontecem rapidamente. Rosseto identifica o maior gargalo das empresas brasileiras: A incapacidade de transformar um bom plano em execução real. A resposta da Rossetto & Lorenzi para esse problema é o que a consultoria chama de execução assistida com governança, um modelo que inclui rituais semanais de acompanhamento, poucos indicadores prioritários e responsáveis definidos para cada iniciativa.
“A empresa precisa saber, toda semana, o que está capturando de caixa e Ebitda. Sem cadência, o plano vira gaveta”, afirma. Para os casos mais urgentes, em que o tempo é escasso e as decisões precisam ser tomadas no calor do dia a dia, a consultoria oferece uma terceira frente de atuação.
“Para reduzir a inadimplência, a empresa precisa parar de operar no escuro e passar a operar com clareza econômica, disciplina de caixa e execução com cadência”, resume o consultor.
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