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A nova era do crédito no Brasil

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Monitor Mercantil
01 de abril de 2026 - 17:12

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Entenda o mercado de crédito brasileiro em transformação, com títulos privados superando empréstimos bancários tradicionais Por Mauro Mello

O mercado de crédito brasileiro atravessa uma transformação sem precedentes. Pela primeira vez na história, o estoque de títulos privados, incluindo FIDCs, CRIs e CRAs, superou o volume de empréstimos bancários tradicionais, atingindo R$ 1,087 trilhão contra R$ 1,082 trilhão em junho de 2025, segundo dados do Banco Central compilados pela Rio Bravo. Este marco consolida a desintermediação bancária como tendência estrutural, redirecionando o fluxo de capital na economia. Para dimensionar a mudança: em 2013, o crédito bancário representava 23,2% do PIB, enquanto os títulos privados correspondiam a apenas 5,4%. Hoje, os papéis se inverteram.

A transformação ocorre justamente em um ambiente macroeconômico desafiador. A Selic permanece em 15% ao ano – o maior patamar desde 2006 e o Copom sinaliza mantê-la por um “período bastante prolongado”. Como resultado, o Índice de Custo de Crédito (ICC) atingiu 23,4% em agosto de 2025, um recorde histórico.

O cenário não paralisa o mercado de capitais, mas o reforça como alternativa viável. Empresas buscam fontes de financiamento mais eficientes e competitivas, fugindo dos spreads bancários. O movimento é racional: por que pagar 23,4% quando o mercado de capitais oferece condições mais atrativas?

FIDCs originaram R$ 71,2 bilhões até outubro, registrando crescimento de 20,3% na comparação anual. Já as debêntures totalizaram R$ 376,9 bilhões, e as Notas Comerciais avançaram 13%, chegando a R$ 42,5 bilhões.

O ecossistema amadurece. O número de gestoras especializadas em crédito privado saltou de 60 para 164 entre 2019 e abril de 2025 – uma expansão de 173%. A oferta se diversifica, a expertise se consolida.

Outubro trouxe um dado que merece atenção: os FIDCs registraram saída líquida de R$ 2 bilhões, reduzindo a captação acumulada no ano para R$ 59,2 bilhões. Trata-se de seletividade, não desconfiança. Em um ambiente de juros elevados, investidores recalibram portfólios, privilegiam liquidez e reprecificam riscos.

O movimento contrasta com a sangria na renda variável: fundos de Ações Livre acumularam resgates de R$ 21,5 bilhões até outubro, mais que o dobro dos R$ 10 bilhões de 2024. Enquanto isso, o capital institucional de longo prazo mantém apetite por risco em private equity: os FIPs captaram R$ 51,1 bilhões no período.

A volatilidade de curto prazo não muda a tese estrutural. A inadimplência projetada para 4,7% em 2025 exige cautela na seleção de ativos, mas não invalida o modelo.

Os FIDCs mantêm vantagens competitivas claras. A Resolução CVM 175, de 2022, modernizou o arcabouço regulatório, permitindo investimento em cotas de outros fundos e criando cadeias de valor que diversificam riscos. A tributação favorável (IR de 15% apenas no resgate, sem “come-cotas” semestral) potencializa o retorno composto.

A agilidade operacional também conta. Um FIDC pode ser estruturado em uma semana; um novo banco demora anos para obter licença. Em um mercado que valoriza velocidade e eficiência, essa diferença é determinante.

A participação do crédito privado na indústria de fundos, hoje em 4,7%, tem potencial para atingir 11% até 2030. Projeções indicam que o setor pode triplicar ou quadruplicar em poucos anos, com a proporção entre crédito bancário e mercado de capitais se invertendo completamente em até 15 anos.

O Brasil avança para um modelo de financiamento mais maduro, diversificado e competitivo. A desintermediação não é tendência passageira, mas a nova realidade do crédito brasileiro. Para gestores, empresas e investidores, compreender e participar dessa transformação deixou de ser opcional.

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