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Consignado do INSS tem entraves após mudanças

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
06 de abril de 2026 - 17:12

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Segundo pesquisa encomendada pela ABBC, 27% dos beneficiários apontam bloqueio mensal como principal dificuldade para contratar modalidade

As mudanças nas regras de desconto nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) feitas no último ano passaram a figurar entre os principais entraves para a contratação de crédito consignado por aposentados e pensionistas.

Segundo pesquisa da Nexus encomendada pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), 27% dos beneficiários entrevistados apontaram o bloqueio mensal como a principal dificuldade para contratar o consignado. Outros 18% indicaram o bloqueio de benefício novo como obstáculo.

Desde novembro passado, todos os segurados do INSS passaram a ter um bloqueio mensal recorrente para a contratação de crédito consignado. A liberação é feita após o beneficiário realizar o desbloqueio no aplicativo ou no site Meu INSS com biometria. Antes, desde janeiro de 2025, o bloqueio ocorria nos primeiros 90 dias após a concessão do benefício.

Leandro Vilain, presidente da ABBC, lembra que, após as alterações, a originação de crédito consignado recuou. Segundo dados do Banco Central (BC), as concessões caíram 31,5% em 2025 na comparação com 2024. “Está sendo estudado pelo INSS e pela Dataprev para tentar melhorar o processo hoje [em relação a fraudes], mas há algum nível de reclamação dos consumidores, de que eles têm dificuldade de tomar [o crédito]. Estamos falando de uma população de idade um pouco mais avançada, que às vezes não tem alguém da família para poder ajudar”, disse.

O levantamento também evidencia a importância dessa modalidade de crédito em um cenário de juros elevados e alto nível de endividamento das famílias. A maioria dos entrevistados (56%) afirmou recorrer ao consignado por necessidade financeira.

Entre os que contratam a linha, 35% utilizam os recursos para quitar dívidas, 34% para pagar contas do dia a dia, 28% para despesas médicas e 23% para a compra de alimentos.

Entre o público que utiliza o consignado, 53% estão em situação de endividamento. Além disso, 88% afirmam ser os principais responsáveis pelo sustento da casa.

Na avaliação de Vilain, quem recorre a esse tipo de crédito costuma ter acesso limitado a outras modalidades. “O tomador desse tipo de crédito, em geral, é o cara que, historicamente, já tem uma propensão maior a estar negativado”, afirmou. “O que a pesquisa mostra é que ele não tem outra linha de crédito, ele não tem outra alternativa. Ele está endividado, ele é o único provedor de crédito na casa dele, ele precisa desse dinheiro para pagar, em geral, dívida. Às vezes, ele paga dívidas básicas, como aluguel, luz etc.”

Em relação à percepção sobre a própria situação financeira, 28% dos entrevistados a classificam como péssima e outros 17% como ruim. Entre os fatores econômicos que mais preocupam esse público estão as despesas domésticas (51%) e dívidas ou empréstimos (32%).

Para 70% dos entrevistados, o fim do consignado do INSS representaria uma ameaça à sua estabilidade financeira. Além disso, 73% projetam contratar novamente esse tipo de crédito no futuro.

A pesquisa também mostra que 84% dos usuários consideraram fácil contratar o empréstimo consignado. Os canais digitais (aplicativos, WhatsApp e sites dos bancos) são usados por 53% dos clientes, enquanto 30% preferem a contratação presencial.

A pesquisa foi feita em fevereiro, por telefone, com 1,2 mil beneficiários do INSS que contrataram crédito consignado.

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