
Varejo escala BNPL (compre agora, pague depois) para fidelizar, enquanto setor de serviços usa crédito nativo para elevar operações e a experiência do usuário final
O que antes era restrito aos bancos e fintechs, agora é popular também no varejo. A oferta de crédito, com soluções Embedded Finance e BNPL (compre agora, pague depois), avança no setor como fator estratégico; especialmente em temporadas de alto volume como o Mês do Consumidor.
O recurso é efetivo especialmente no ambiente digital. “Quando o crédito aparece de forma contextual na jornada, o consumidor ganha mais flexibilidade para realizar compras de maior valor, enquanto as empresas reduzem o abandono de carrinho, aumentando a conversão e ticket médio”, explica Pedro Mac Dowell, CEO e fundador da QI Tech.
Mas antes de usufruir das vantagens da oferta de crédito no B2C o varejista precisa arcar com certos custos e atentar-se ao planejamento da implementação.
O que é preciso para que o varejista ofereça crédito ao consumidor?
Unicórnio no setor de infraestrutura para serviços financeiros, a QI Tech, ao analisar suas operações, observa que o processo de implementação envolve uma camada significativa de complexidade regulatória, incluindo:
Requisitos de compliance,
Prevenção à lavagem de dinheiro,
Gestão de risco, Monitoramento transacional,
Integração com o sistema financeiro nacional.
Para Mac Dowell, a fronteira entre vender um produto e oferecer crédito vem se tornando cada vez mais tênue no ambiente digital. Ao integrar o financiamento diretamente na jornada de compra, muitas vezes de forma quase invisível no checkout, plataformas de e-commerce e marketplaces conseguem reduzir fricções no processo de pagamento e ampliar a conversão.
Mas a oferta de crédito B2C faz sentido?
A lógica por trás da popularização dos serviços financeiros no varejo, e também em outros setores, se baseia em dados como o volume de brasileiros que parcela as compras. Por aqui, 69% dos consumidores utilizam o cartão de crédito como principal forma de pagamento.
Os dados, do grupo de serviços financeiros DM, indicam que o brasileiro opta pelo crédito principalmente na compra de roupas, eletrônicos e produtos de maior valor agregado (59,6%). Assim, oferecer o próprio cartão de crédito torna-se estratégia facilmente presumida.
Avanço do BNPL (Buy Now, Pay Later), pague agora, pague depois
Dados da Câmara Brasileira da Economia Digital, em parceria com a consultoria Gmattos, mostram que o BNPL já está presente em 62,7% das lojas virtuais monitoradas em setembro de 2025, contra 45,8% no mesmo período de 2024.
O modelo amplia o acesso ao parcelamento e permite que consumidores realizem compras de maior valor dentro da própria plataforma, ao mesmo tempo em que reduz fricções na jornada de pagamento.
O estudo também aponta que o parcelamento via BNPL aparece com mais frequência do que o parcelamento no cartão de crédito acima de quatro parcelas.
Avanço do Embedded Finance
O avanço do Embedded Finance também vem sendo observado em plataformas de serviços digitais. Empresas de mobilidade e tecnologia passaram a integrar produtos financeiros em seus aplicativos, oferecendo desde carteiras digitais até crédito pessoal dentro da própria jornada do usuário.
A plataforma de mobilidade 99, por exemplo, expandiu sua estratégia financeira por meio da 99Pay, que reúne serviços como conta digital, pagamentos e oferta de crédito pessoal diretamente no aplicativo.
“Esse tipo de operação evidencia uma transformação estrutural no mercado. Com o apoio de infraestruturas reguladas, companhias de diferentes setores conseguem integrar soluções financeiras às suas jornadas digitais sem assumir toda a complexidade regulatória de um banco”, conclui Mac Dowell.
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