
Artur Ildefonso Brotto se recusou a assinar um compromisso de dizer a verdade em seu depoimento na CPMI que investiga as fraudes no INSS
O presidente do C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto, se recusou a assinar um compromisso de dizer a verdade em seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no INSS. Ele foi o primeiro representante de instituições financeiras a comparecer ao colegiado para tratar de supostas irregularidades envolvendo empréstimos consignados.
O advogado do executivo, Daniel Bialski, argumentou que a decisão de não assinar o termo está ligada ao direito do depoente de não dizer nada que o possa prejudicar. “A gente não tem como prever aqui o que possa lhe ser perguntado, então ele vai exercer esse direito que foi garantido”, afirmou o advogado.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), tentou argumentar, dizendo que Brotto estava depondo na condição de testemunha, e não de investigado, mas não adiantou.
Na sua fala inicial, o executivo do banco criticou as decisões do INSS de suspender a comercialização de empréstimos consignados do C6 e de determinar a devolução integral dos valores envolvidos nessas operações. O executivo também afirmou que o banco está recorrendo da decisão na Justiça.
“Cumprimos rigorosamente todas as normas e já recorremos ao Judiciário para restabelecer (as operações)”, disse Brotto. “Também não nos parece correto fazer a devolução integral dos valores contratados legalmente”, completou o executivo.
Segundo o executivo, o INSS considerou como venda casada a oferta de um pacote de serviços que incluía, entre outros produtos, assistência funeral, acesso a consultas médicas, descontos em exames e descontos em farmácias.
Brotto esclareceu, contudo, que esses serviços eram pagos pelos clientes de forma separada, sem nenhum tipo de desconto na folha de aposentadorias ou de pensões. “O pagamento, inclusive, era feito à vista”, explicou.
Antes da oitiva, os parlamentares membros da CPMI aprovaram requerimentos com convites para depoimentos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e de seu antecessor no cargo, Roberto Campos Neto. Os dois só devem comparecer se o prazo dos trabalhos da comissão sejam prorrogados, o que ainda depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
O prazo de funcionamento da CPMI expira no próximo dia 28 e ainda não há expectativa de prorrogação. Diante da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o comando da comissão apelou ao STF em busca de prorrogar os trabalhos da comissão parlamentar por mais 60 dias.
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