
Spreads de crédito começaram a subir nos últimos dias diante da preocupação com riscos no ‘private credit’ americano
Os spreads de crédito nos Estados Unidos subiram nos últimos dias, sugerindo que a preocupação dos investidores com os riscos no mercado de “private credit” possam estar contaminando o sentimento no mercado de crédito tradicional.
De acordo com dados da plataforma Fred, da distrital de St. Louis do Federal Reserve (Fed), o spread de bonds com grau de investimento dos EUA em relação aos Treasuries subiu de 0,79 ponto percentual no dia 2 de janeiro, no começo do ano, para 0,90 p.p. em 19 de março, no nível mais alto em seis meses. Em relação ao crédito “high yield”, que inclui empresas cujo rating está no grau especulativo, o spread saltou de 2,83 p.p. para 3,27 p.p. na mesma base comparativa.
No entanto, apesar desse avanço, o índice ainda está bem abaixo do pico visto no ano passado, quando chegou a 1,21 p.p. em abril, em meio ao forte sentimento de aversão a risco entre os investidores com as ameaças tarifárias do governo americano. Na época, o Fed ainda não tinha iniciado seu ciclo de afrouxamento monetário, e os juros nos EUA estavam entre 4,25% a 4,50% ao ano, ante a faixa de 3,50% a 3,75% de agora.
O mercado de “private credit” nos EUA equivale ao mercado de empréstimos feitos fora do sistema bancário tradicional, semelhante ao mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no Brasil.
Em relatório, os estrategistas Bradley Rogoff e Dominique Toublan, do Barclays, destacam as recentes notícias negativas em torno do mercado de “private credit” como um fator de pressão sobre os spreads de crédito. Eles apontam que algumas gestoras de “private credit” já estão enfrentando saques maiores e adotando medidas para restringir resgates, o que pode manter o segmento sob pressão no curto prazo.
“Isso também afeta negativamente investidores expostos a crédito privado, como seguradoras. Como resultado, ambos os segmentos têm tido desempenho significativamente inferior e negociam com spreads bem mais abertos [altos] em relação ao índice”, afirmam.
Apesar disso, os economistas acreditam que o pano de fundo ainda é construtivo para o mercado de crédito, sem sinais de uma piora generalizada no apetite por risco até o momento. “A economia americana continua resiliente e a última temporada de resultados foi forte. Além disso, muitos investidores não estavam excessivamente posicionados antes da recente correção e ainda têm caixa para alocar”, comentam os estrategistas. A expectativa do banco britânico é de que os spreads passem a operar em intervalo mais amplo e com maior dispersão.
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