
Presidente do BC destaca que parte da população recorre ao cartão de crédito como se o limite fosse extensão da renda
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (10), em palestra sobre conjuntura econômica e política monetária na FEA-USP, que o funcionamento do crédito no Brasil afeta os canais de transmissão da política monetária. Segundo ele, muitas pessoas não se consideram endividadas enquanto mantêm os pagamentos em dia. “Você pergunta para as pessoas que estão com algum tipo de financiamento: ‘Você tem dívida?’. ‘Não’. O brasileiro só acha que tem dívida quando fica atrasado numa prestação”, afirmou.
Ao citar o cartão de crédito, ele afirmou: “Você tem essa coisa estranha que é, de um lado, 40 milhões de pessoas no cartão de crédito com 60% de inadimplência. Você entra num avião que cai 60% das vezes?”, questionou.
Ao comentar os canais de transmissão da política monetária, Galípolo disse que parte da população recorre ao cartão de crédito como se o limite fosse extensão da renda, mas afirmou que isso também ocorre, “às vezes, [por] ausência de melhor opção” e por um “arranjo que dá os estímulos equivocados”.
“O limite do cartão de crédito que aparece lá é visto como um pedaço da renda disponível para uma eventual emergência”, disse.
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