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01 de julho de 2026 - 17:12

Bancos-digitais-ampliam-credito-para-publicos-de-risco-e-aceleram-crescimento-televendas-cobranca-1

Os ‘neobanks’, instituições financeiras que operam exclusivamente por canais digitais, lideram o atendimento aos consumidores com crédito ativo. Entre 2021 e 2025, o saldo desse tipo de crédito, considerando cartões de crédito e empréstimos pessoais nos bancos digitais cresceu mais de 360%. Nos bancos tradicionais, o crescimento foi de 37,5%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (02/06), pela Equifax Boa Vista, que analisou mais de 165 milhões de CPFs ativos.

Em 2021, os neobanks representavam apenas 11,8% do total de crédito ativo. Em 2025, passaram a responder por 31,8% do mercado. O número de clientes dos bancos digitais saltou de 25 milhões, em 2021, para 61 milhões, em 2025. Já os bancos tradicionais possuíam 54 milhões de clientes em 2021 e passaram a ter 48 milhões em 2025.

Segundo Silvio Santana, vice-presidente comercial de Key Accounts da Equifax, o crescimento dos neobanks está fortemente atrelado à estratégia dessas instituições de ampliar a concessão de crédito para pessoas que estão iniciando a vida financeira ou que possuem baixo poder aquisitivo.

Entre 2021 e 2025, a parcela de clientes que recebem até um salário mínimo e obtiveram cartão de crédito passou de 6% para cerca de 20,6%. Em relação à concessão de empréstimos pessoais para esse mesmo grupo, o percentual saiu de quase 5% para mais de 14%.

Em relação ao primeiro cartão de crédito, 41,4% dos cartões foram emitidos por bancos digitais, enquanto apenas 4,9% foram concedidos por bancos tradicionais.

Com a maior concessão de crédito, os neobanks também passaram a concentrar a maior parcela de inadimplentes no cartão de crédito. Em 2021, o índice de indivíduos inadimplentes era de 7,7%; em 2025, a taxa chegou a 20,31%. Já nos bancos tradicionais, considerando o mesmo período, o indicador recuou de 14,75% para 13,6%.

Entre as pessoas de baixa renda, a inadimplência no cartão de crédito dos bancos digitais passou de 9,5%, em 2021, para aproximadamente 33%, em 2025. Já a inadimplência relacionada aos empréstimos pessoais subiu de 8% para 25%.

Apesar de a inadimplência ser uma das maiores preocupações do mercado, Marcos Coque, diretor de analytics da Equifax Boa Vista, explica que, ao analisar os dados, é possível concluir que apenas um em cada cinco consumidores dos neobanks é inadimplente – o que justifica o risco assumido por essas instituições.

Por crescerem principalmente por meio da concessão de crédito a consumidores que não tinham uma vida financeira ativa, os neobanks assumem um risco elevado de inadimplência. No entanto, Coque ressalta que essa estratégia também permite aos bancos analisar o comportamento de cada consumidor e a forma como ele lida com suas dívidas, aperfeiçoando a oferta de crédito para cada perfil.

“É um público desafiador. Isso não quer dizer que os neobanks tenham provocado a inadimplência, mas que atuaram junto a um público mais arriscado”, diz Coque.

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