Jun
30

Por que as ações do Nubank caem quase 30% em 2026

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Neo Feed
29 de junho de 2026 - 17:12

Por-que-as-acoes-do-nubank-caem-quase-30-em-2026-televendas-cobranca-1

Troca de CFO, recomendação de venda pelo BofA, corte de preço-alvo pelo Citi e preocupação com a qualidade do crédito derrubam papéis do Nubank neste ano

Em um momento em que todos os bancos enfrentam pressão decorrente dos juros altos, há uma cobrança maior pela qualidade dos ativos. E o Nubank passou a ser observado com lupa pelos analistas justamente quando embarca em um processo de expansão global.

O banco fundado por David Vélez ficou sob o microscópio do mercado depois de reportar, no primeiro trimestre, um aumento de 75,7% nas provisões em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 1,7 bilhão. No período, a inadimplência de 15 a 90 dias cresceu 0,9 ponto percentual, com o NPL alcançando 5%.

Esses avanços ocorreram em um período no qual o crédito acelerou: o portfólio, que inclui o volume de empréstimos e de cartões de crédito, cresceu 40% no trimestre, para US$ 37,2 bilhões.

Para o Citi, os resultados mostram que o Nubank está priorizando o crescimento e a expansão da receita financeira líquida de juros (NII) em detrimento da minimização do custo do risco, algo que pode prejudicar as margens. O banco cortou o preço-alvo de US$ 22 para US$ 18, reiterando a recomendação de compra.

“Em 2026, o Nubank demonstra compromisso em acelerar o crescimento da carteira de empréstimos, mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador. Espera-se que 2026 seja um ano exigente para a qualidade dos ativos, com o custo do risco apresentando tendência de alta em relação a 2025″, diz trecho do relatório.

O Bank of America (BofA) foi mais longe e decidiu rebaixar a recomendação das ações de neutra para venda, além de cortar o preço-alvo de US$ 16 para US$ 10. Para o BTG Pactual, que manteve a recomendação de compra e o preço-alvo em US$ 21, as preocupações com a qualidade do crédito não desaparecerão tão cedo.

A avaliação é de que o Nubank pode precisar de dois ou três trimestres de boa qualidade de ativos e de margens de intermediação financeira (NIMs) ajustadas ao risco em trajetória de melhora para “convencer” os investidores.

“Por outro lado, se a qualidade dos ativos decepcionar e/ou o crescimento desacelerar — o crédito não é linear e ajustes são necessários durante o processo —, as preocupações aumentarão e haverá o risco de muitos investidores simplesmente ‘jogarem a toalha’”, escreveram os analistas do BTG.

Foi nesse cenário já pressionado que, na noite de segunda-feira, 1º de junho, o mercado recebeu a notícia da troca de CFO – e ela não caiu bem. As ações chegaram a recuar mais de 11% na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) nesta terça, 2 de junho, fechando o dia com queda de 8,16%, a US$ 11,93. No ano, os ativos acumulam quase 30%, levando o valor de mercado a US$ 58 bilhões.

Guilherme Lago deixará o banco e será substituído por Rob Livingston, que chega da Visa, onde ocupava o cargo de CFO para a América do Norte. Ele assume a partir de 13 de julho. A chegada de Livingston faz parte dos esforços da instituição para ganhar escala global, estratégia que também resultou na contratação de Eric Young para o cargo de CTO e de Kim Farrell como CMO.

Mas o mercado leu o movimento com desconfiança. Para o BofA, embora Livingston possua um currículo robusto, o “timing da transição aumenta a incerteza, especialmente porque o Nubank está atravessando uma fase mais desafiadora para concessão de crédito no Brasil e buscando expansão para México, Colômbia e Estados Unidos”.

Os analistas do Safra foram na mesma direção. “O novo CFO global, embora traga um currículo internacional sólido, não é especialista no mercado brasileiro. Com o sucessor do CFO do Brasil ainda não nomeado, vemos o anúncio como um fator negativo, por ora, já que ocorre em um momento em que o Brasil permanece central para o investimento, principalmente porque os investidores continuam monitorando uma possível piora nas tendências de qualidade dos ativos”, diz trecho do relatório. O Safra tem recomendação de compra e preço-alvo de US$ 22.

Para mitigar parte das preocupações, o Nubank anunciou a criação do cargo de CFO para a operação brasileira, e Lago permanecerá como conselheiro especial da diretoria executiva da Nu Holdings e de seu comitê de auditoria e riscos.

Ainda assim, o banco precisa demonstrar melhora no Brasil, onde se tornou a maior instituição financeira privada em número de clientes, com 112 milhões. Por ora, as dúvidas seguem maiores do que as certezas.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail:
Cadastre-se agora e receba em seu e-mail:
  • Notícias e novidades do segmento de contact center;
  • Vagas em aberto das principais empresas de Atendimento ao Cliente;
  • Artigos exclusivos sobre Televendas & Cobrança assinados pelos principais executivos do mercado;
  • Promoções, Sorteios e muito mais.
Preencha o campo abaixo e fique por dentro das novidades: