
Em painel no Fin4She Summit 2026, Andressa Auge contou como o Bradesco estruturou um novo segmento para clientes de alta renda em apenas nove meses
Lançar um novo segmento para clientes de alta renda em apenas nove meses parecia uma missão improvável dentro de uma das maiores instituições financeiras do País. Mas foi exatamente esse desafio que mobilizou dezenas de equipes do Bradesco e, dentro do tempo de uma gestação, deu origem ao Bradesco Principal, marca voltada ao público de alta renda criada em 2024.
Durante o Fin4She Summit 2026, em São Paulo, a diretora do Bradesco Principal, Andressa Auge, abriu os bastidores do projeto e definiu a iniciativa como “uma startup dentro de um banco de 83 anos”.
Segundo a executiva, a decisão de criar o novo segmento nasceu da percepção de que o cliente de alta renda mudou de perfil. Mais informado, mais exigente e menos fiel às instituições financeiras, esse público passou a comparar a experiência bancária não apenas com a de outros bancos, mas com as melhores experiências de consumo que encontra em qualquer setor.
Hoje o cliente não compara banco com banco. Ele compara o banco com as melhores experiências que já viveu
Em janeiro de 2024, a equipe recebeu a missão de estruturar um novo modelo de atendimento, criar uma marca, definir proposta de valor, montar equipes, desenvolver jornadas, reformar espaços físicos e lançar a operação até outubro do mesmo ano.
“Quando falaram em nove meses, muita gente disse que não daria certo. Mas a gente decidiu construir enquanto ajustava a rota”, contou.
Ao longo da apresentação, Auge destacou que a criação do Principal foi guiada por mais de mil entrevistas com clientes. A partir dessas conversas surgiram pilares como atendimento personalizado, foco em investimentos, soluções internacionais e benefícios voltados à experiência do cliente.
Uma das mudanças mais simbólicas foi a criação de escritórios sem o modelo tradicional de agência bancária. Os espaços foram desenhados para privilegiar relacionamento e consultoria, com salas de reunião, café e ambientes inspirados em lounges de aeroportos.
Apesar da forte presença de tecnologia no projeto, a executiva argumentou que a principal transformação aconteceu no campo humano.
“Inteligência artificial, dados e tecnologia são fundamentais. Mas a conexão entre pessoas continua sendo o que faz a diferença”, disse.
Auge também aproveitou o encontro para compartilhar reflexões sobre liderança. Para ela, projetos de transformação exigem menos controle e mais capacidade de mobilizar pessoas.
“Liderança não é carregar tudo sozinha. É dar direção, construir contexto e confiar nas pessoas certas.”
Ao final da apresentação, a executiva resumiu o principal aprendizado da jornada que deu origem ao novo segmento.
Transformação não acontece por causa de uma ideia genial. Ela acontece quando pessoas fazem o básico muito bem feito, de forma consistente, durante muito tempo
Andressa Auge
O painel integrou a programação do Fin4She Summit 2026, evento realizado na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, que reúne executivas, empreendedoras e lideranças para discutir finanças, carreira, inovação e protagonismo feminino nos negócios. O E-Investidor participa da iniciativa como media partner e realiza a cobertura jornalística do encontro.
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