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18 de agosto de 2026 - 17:12

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Para Jess Turner, inovação avança com IA e ajudar a combater fraudes

Quando se fala de open finance, o sistema aberto de compartilhamento de dados no setor financeiro, o mais comum é pensar em usos domésticos, como portabilidade ou informações para facilitar cadastros e melhorar modelos de créditos. Entretanto, como é algo que depende muito de capacidade de processamento de dados e cibersegurança, ter um participante global com expertise de interligar diversas partes da cadeia pode ser essencial para dar escala. É aí que entram as empresas de cartão.

“O motivo pelo qual decidimos entrar no open finance em nível global deve-se àquilo que já fazemos. Somos uma rede de pagamentos de confiança em todo o mundo, proporcionando experiências onipresentes. Nesse contexto, já ocorre uma intensa troca de dados, sempre amparada pelas salvaguardas adequadas”, diz Jess Turner, diretora global de open finance da Mastercard.

A executiva traça um paralelo com a indústria tradicional de pagamentos, em que a Mastercard usa suas plataformas e escala para dar segurança e interoperabilidade, mesmo com essas transações sendo feitas exclusivamente a nível local.

Como não existe uma autoridade global que coordene o open finance, a Mastercard explica que sempre cumpre as exigências locais. O Brasil, por ter um dos sistemas de compartilhamento de dados mais desenvolvidos, acaba servindo de base para muita coisa. “Um dos principais aprendizados que tivemos no Brasil diz respeito à forma como funciona o intercâmbio de dados. A maneira como esses insights podem ser utilizados é uma característica muito peculiar do modelo brasileiro”.

Entre as inovações que o open finance possibilita está o chamado comércio agêntico, feito por agentes de inteligência artificial (IA). Turner afirma que, se você permite que as pessoas utilizem seus dados para qualquer finalidade, seja para fins informativos ou para proporcionar melhores experiências de usuário, a abordagem baseada em agentes acrescenta mais uma camada a isso, tornando tudo hiperpersonalizado.

Turner reconhece que o nível de confiança dos usuários nos agentes de IA ainda é incipiente e muda muito dependendo da localidade, idade e outras variáveis. Mas afirma que, com o tempo, isso vai virar algo corriqueiro. “As pessoas já confiam nos agentes para questões de informação. A questão é quando vão confirmar para executar transações. Ainda estamos um pouco longe do dia em que agentes de IA vão pedir um financiamento imobiliário. Mas já estamos perto de um cenário em que a pessoa dá ao agente acesso aos seus dados financeiros e pede para ele avaliar qual seria a melhor opção.”

O open finance também ajuda diversas outras áreas de negócios da Mastercard, como combate a fraudes, cibersegurança, produtos de fidelidade, insights de mercado. A Mastercard divulgou recentemente um estudo em parceria com o Financial Times que mostra que 76% dos consumidores mudariam de banco para ter acesso a serviços digitais que tornem a gestão das suas finanças mais fácil. Ao mesmo tempo, 75% dos executivos do setor dizem já ver um crescimento de receitas em função do open finance. Mas Turner ressalta que os dados precisam ser padronizados e interoperáveis, para que se possa trabalhar em cima deles. “Acredito que, se houver valor para as partes que detêm os dados em disponibilizá-los prontamente, fica muito mais fácil definir prioridades.”

O presidente da Mastercard no Brasil, Marcelo Tangioni, diz que o país está avançando em padronização e interoperabilidade, em função das regras do Banco Central (BC). “A questão do tratamento dos dados é um processo. O que temos visto é que tem muito esforço na indústria, muito investimento.” Ele lembra que a companhia anunciou no ano passado uma parceria com a Lina Open X, que foi criada em 2020 com o objetivo de ser o “braço” de open finance e open insurance de instituições financeiras e seguradoras.

Globalmente, em março a Mastercard anunciou um acordo de US$ 1,8 bilhão para comprar a BVNK, que oferece infraestrutura para stablecoins. Turner aponta que o open finance, juntamente com a tecnologia do blockchain, ajuda a agilizar e facilitar operações de câmbio. “Nós oferecemos serviços de cartões, pagamentos entre contas – e o Pix é um exemplo disso –, stablecoins, depósitos tokenizados. Então, trata-se de analisarmos as escolhas sobre o que nossos clientes, consumidores e empresas desejam utilizar.”

No Pix, a Mastercard deve criar em breve uma parceria com outra empresa para usar autenticação biométrica em algumas transações.

Tangioni aponta ainda que um dos grandes focos da companhia este ano é ajudar na oferta de crédito para pequenas e médias empresas, onde a falta de dados muitas vezes é um dificultador para a concessão por parte dos bancos. A Mastercard incorporou recentemente ao seu cartão voltado para pequenas empresas duas ferramentas de proteção, que ajudam a identificar as próprias vulnerabilidades e se proteger contra roubo de identidade. “Os benefícios que o open finance traz para consumidores, também pode trazer para PMEs. A concessão de crédito, historicamente, tem sido um desafio. Então ao compartilhar e enriquecer os dados, isso ajuda em uma tomada de decisão mais forte”.

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