
Com vertical de banco de investimento mais fraca, instituição elevou receita com empréstimos
O BTG Pactual registrou receita e lucro recordes no segundo trimestre, impulsionados pela diversificação de seu modelo de negócios, que ajudou a compensar um cenário mais adverso para os mercados de capitais. Analistas de “sell-side” ressaltaram esse ponto e a diversificação de receitas na composição dos resultados, mas também apontaram que a maior dependência da concessão de crédito, em um momento de pressão na inadimplência, gera preocupação.
O BTG Pactual teve lucro ajustado de R$ 5,142 bilhões entre abril e junho, com alta de 6,9% sobre o trimestre anterior e de 22,6% sobre mesmo período do ano passado. A receita total ficou em R$ 10,371 bilhões, com aumento trimestral de 4,0% e anual de 15,9%.
A área de banco de investimentos atingiu uma receita de R$ 421 milhões, baixa trimestral de 33% e anual de 46%. Segundo o BTG, foram 24 ofertas de dívida (DCM), oito de ações (ECM) e 18 de fusões e aquisições (M&A).
O mercado de DCM teve queda no segundo trimestre, com resgate nos fundos de renda fixa e aumento nos spreads, mas começou a se estabilizar nas últimas semanas. Já em ECM, o BTG liderou o IPO da Compass e foi o único banco da América Latina a participar da abertura de capital da SpaceX.
Enquanto isso, a área de crédito a empresas, chamada de “corporate lending & business banking”, que inclui as áreas de atacado e de pequenas e médias companhias, teve receita de R$ 2,5 bilhões no período. Houve alta de 7% no trimestre e de 19% em um ano. O portfólio de crédito somou R$ 288,476 bilhões, avanço de 3% no trimestre e de 21% em um ano.
Em consumer finance & banking, onde entra a operação do banco Pan, o BTG reportou receitas de R$ 1,546 bilhão, aumento de 37% no trimestre e 74% em um ano. Segundo o banco, houve expansão da carteira, melhora nos spreads e contribuição adicional da participação de 48% na fintech Meu Tudo. A carteira alcançou R$ 78,150 bilhões, crescimento de 6% no trimestre e 35% em um ano.
Na teleconferência com analistas, os executivos do banco foram bastante questionados sobre a expansão no crédito em um momento de maior cautela no setor como um todo. O CEO do BTG, Roberto Sallouti, afirmou que o cenário para o crédito ao consumo ainda vai piorar antes de melhorar. Segundo ele, o banco esperava uma deterioração mais cedo, mas esse processo acabou sendo adiado, em função do impulso fiscal do governo, que alimentou a atividade econômica.
“Os gastos do governo tiveram um crescimento mais forte com a aproximação do ciclo eleitoral, e isso não é sustentável para o próximo ano. Em algum momento, a atividade vai desacelerar e, com o nível de endividamento das famílias, pode ser um ciclo mais complicado. Mas nada desastroso”.
Sallouti ressaltou que, assim como o restante do setor bancário, o BTG está preocupado com o nível de endividamento das famílias. Até por isso, tem concentrado a originação em linhas com colateral, como o consignado privado e mesmo o financiamento automotivo. “Já estamos há um bom tempo fazendo isso, reduzindo a exposição a segmentos de maior risco”.
O executivo explicou que, enquanto o crédito ao consumo está crescendo em linhas com colateral, no crédito para empresas o banco tem expandido a carteira porque encontra spreads saudáveis. No ano passado, com os mercados de capitais muito fortes, muita coisa foi distribuída e o banco não concedeu tanto empréstimo assim. “Ainda podemos seguir com crescimento de 15% a 20% no crédito este ano”.
O vice-presidente financeiro, Renato Cohn, apontou que as receitas em crédito ainda devem melhorar com integração da MeuTudo. “Quase 95% da carteira [de varejo] tem colateral, seja financiamento automotivo ou consignado privado. Estamos superconfortáveis, a inadimplência está menor do que a gente vinha projetando”.
Analistas destacaram os bons resultados do BTG e a diversificação de receitas. “Embora o ímpeto permaneça limitado em gestão de patrimônio e banco de investimento, o BTG continua a diversificar com sucesso sua base de receitas”, disse o Safra. Ainda assim, em um pregão de queda generalizada na bolsa, as units do BTG se destacaram e perderam 5,80%.
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