
Após considerar mudar de foco devido ao crescimento instável do chatbot, a OpenAI decidiu apostar tudo no ChatGPT por conselho do investidor Peter Thiel
Logo depois do lançamento do ChatGPT, a OpenAI quase mudou de estratégia. Segundo o CEO Sam Altman, o crescimento explosivo do produto parecia instável demais para a empresa apostar todas as fichas nele — e havia, internamente, uma lista de cinco ou seis projetos alternativos sendo cogitados.
A decisão de continuar apostando no chatbot, segundo Altman, veio de um conselho direto do investidor Peter Thiel, cofundador do PayPal e um dos primeiros apoiadores da OpenAI.
“O melhor conselho que Peter Thiel já me deu foi: ‘Foque no que está funcionando.’ Parece simples, mas é incrivelmente fácil de perder de vista”, disse Altman, em entrevista ao podcast Founders, apresentado por David Senra.
Uma caixa de texto em branco
Segundo Altman, Thiel enxergou no ChatGPT algo que a própria OpenAI ainda não tinha percebido com clareza: uma repetição, décadas depois, do que a barra de busca do Google havia representado para o Vale do Silício.
“Ele o comparou à caixa de busca do Google — uma caixa de texto em branco onde o usuário digita qualquer coisa e o sistema acerta”, afirmou o executivo.
Para Thiel, essa interface simples era a primeira grande novidade em 20 anos no setor de tecnologia.
“Fazer qualquer outra coisa além de continuar isso é claramente um erro”, teria dito Thiel a Altman, segundo o relato do CEO da OpenAI. “Ele me convenceu a ignorar o barulho e focar tudo no ChatGPT. Ele estava certíssimo”, disse.
Paul Graham e a filosofia da Y Combinator
Altman também citou a influência de Paul Graham, cofundador da aceleradora de startups Y Combinator, onde o próprio Altman foi presidente antes de assumir a OpenAI.
Segundo ele, a lição central de Graham sempre foi a de “fazer algo que as pessoas queiram”. Essa filosofia — de lançar produtos cedo e deixar o mercado apontar o caminho — moldou boa parte da cultura da OpenAI, ainda que a empresa tenha rompido com esse manual em um ponto crucial: passou quatro anos e meio sem lançar nenhum produto comercial, dedicada apenas à pesquisa.
Para Altman, tanto Thiel quanto Graham compartilham uma característica rara: a disposição de defender convicções fora do consenso. “São pensadores não lineares, que pensam a partir de primeiros princípios e têm coragem de defender convicções impopulares”, disse o executivo.
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