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04 de outubro de 2026 - 12:12

Crédito-deve-enfrentar-ventos-contrários-nos-próximos meses, diz Goldman Sachs-televendas-cobranca-1

Com endividamento das famílias em nível crítico e serviço da dívida batendo recorde, analistas alertam para a piora na qualidade dos empréstimos nos próximos meses

O peso da dívida na renda e a alta inadimplência começam a travar o mercado de crédito no Brasil. Em julho, o volume de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) avançou 0,3% na comparação com o mês anterior (ante 0,6%). Embora o acumulado de 12 meses some 9,5%, o dado indica uma desaceleração.

Dados consolidados de junho mostram que o endividamento das famílias estacionou em 49,8%, um nível crítico, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida bateu o recorde de 28,9%. Apesar da taxa de juros no crédito livre para pessoas físicas ter recuado 390 pontos-base em julho, o custo continua punitivo, estagnado em 60% ao ano.

Em meio a esse cenário restritivo, o Goldman Sachs vê desafios à frente. “Esperamos que as condições de crédito enfrentem ventos contrários nos próximos meses devido à política monetária restritiva, à desaceleração do crescimento, à dinâmica mais fraca do mercado de trabalho, ao aumento das taxas de inadimplência e aos níveis muito elevados de endividamento das famílias, bem como ao serviço da dívida em patamar recorde em relação à renda disponível”.

Os analistas ponderam, contudo, que a concessão de crédito pelos bancos públicos e as linhas patrocinadas pelo governo federal devem continuar sustentando o ciclo. Nesse sentido, com os dados disponíveis até o momento, um cenário de freio brusco no crédito seria menos provável.

Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o recuo de julho confirma a perspectiva de uma desaceleração gradual nos próximos meses. “A combinação entre uma taxa de juros ainda significativamente restritiva, o elevado endividamento das famílias e a trajetória de alta da inadimplência aponta para uma deterioração da qualidade do crédito e sugere menor capacidade de sustentação da atividade à frente”, afirma Lin. O economista adverte ainda para os riscos de um cenário global adverso e inflação persistente, que podem manter as condições financeiras internacionais restritivas.

O Itaú BBA destaca um aumento nítido na inadimplência geral, com o índice de atrasos acima de 90 dias subindo para 4,88% no sistema. A faixa de atraso inicial (15 a 90 dias) mostra dinâmicas opostas: segundo o banco, houve recuo nessa faixa para 4,51% nas pessoas físicas e alta para 2,93% nas empresas. O Itaú explica que a queda no indicador de curto prazo das famílias reflete que a dívida ficou antiga e migrou para prazos mais longos, enquanto a formação de novos riscos se concentra agora nas pessoas jurídicas.

Apesar da pressão nos atrasos longos, o Bradesco BBI enxerga resiliência no curto prazo. Em relatório, o banco classifica a queda da inadimplência inicial de pessoas físicas como um destaque positivo, citando melhoras mensais nas carteiras de crédito consignado privado, cartões de crédito, veículos e crédito imobiliário. O índice consolidado de inadimplência de 15 a 90 dias manteve-se estável em 4,7%. O Bradesco BBI ressalta, no entanto, que o mercado não deve olhar apenas para os atrasos acima de 90 dias, pois as tendências nas metodologias de baixas contábeis dos bancos distorcem esse indicador, tornando-o inadequado para avaliar a real qualidade dos ativos.

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