
Dados de FIDCs da Shopee mapeados pelo BTG Pactual mostram que a carteira da plataforma cresceu 208% em um ano, indicando que o crédito é um novo front nessa batalha
Cada vez mais ferrenha, a disputa intensa entre os marketplaces no Brasil tem se desenrolado em diversas trincheiras – dos take rates e do volume bruto de mercadorias (GMV) aos subsídios de frete. Agora, uma nova linha começa a ganhar mais espaço nesse front: o crédito.
Esse contexto é o mote de um novo relatório enviado a clientes pelo BTG Pactual. E para ilustrar esse cenário, o banco de investimentos usa como referência as últimas movimentações e o avanço acelerado da Shopee nessa arena.
A análise parte dos dois Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) registrados pela Shopee na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que, somados, mostram uma carteira consolidada de cerca de R$ 8 bilhões em agosto de 2026.
Com prazos abaixo de 360 dias, o montante em questão representa um crescimento de 208% em relação ao volume registrado nessa carteira doze meses antes. E uma expansão de 6,5% sobre o mês de junho desse ano.
“O ritmo de expansão sugere que a Shopee usa cada vez mais o crédito como parte da sua estratégia de ecossistema mais ampla no Brasil, indo além da concorrência no marketplace para atuar em fintech, captação de recursos e monetização de usuários”, escrevem os analistas do BTG.
No detalhe dessa escalada, o banco mostra que o MONEE FIDC I, o principal veículo por trás da expansão de crédito da Shopee, existe desde 2022. Mas só engatou uma marcha agressiva, de fato, em 2025 – ele saltou de R$ 1,5 bilhão, em janeiro daquele ano, para o volume atual de R$ 7,4 bilhões.
O BTG também aponta que a criação de um segundo FIDC, no segundo semestre de 2025, indica que a Shopee está construindo flexibilidade adicional de financiamento e se preparando, potencialmente, para uma expansão mais ampla do crédito.
Entretanto, os analistas ressaltam que a qualidade desses ativos ainda exige cautela, uma vez que a carteira ainda é relativamente imatura, e que esse crescimento acelerado torna os índices atuais de inadimplência menos conclusivos.
“Uma carteira em rápido crescimento pode parecer, inicialmente, mais saudável, pois muitos empréstimos ainda não tiveram tempo suficiente para migrar para faixas de atraso mais longas”, observa o banco.
O BTG Pactual reforça que essa percepção é particularmente relevante ao comparar a Shopee com o Mercado Livre, cujos FIDCs são mais maduros.
Nessa direção, os analistas recorrem aos dados mais recentes da operação do Mercado Livre, relativos a junho. Os indicadores mostram uma carteira de R$ 8,1 bilhões, alta anual de 23,7% e de 2,4% sobre o mês anterior. E com inadimplência em 9,5%, abaixo de 90 dias, e acima desse prazo, de 11,2%.
Apesar da diferença de maturidade, o BTG observa que a carteira da Shopee já é relevante em termos absolutos e pode impactar a competitividade, especialmente se apoiar o capital de giro dos vendedores, o financiamento aos consumidores, o aumento da conversão e a recorrência de compras. Mas ressalta:
“O risco é que uma expansão acelerada exija provisões mais elevadas, à medida que a carteira amadurece. No entanto, a mensagem estratégica é clara: a Shopee parece estar construindo um ecossistema mais amplo que integra comércio e crédito no Brasil”, conclui o banco.
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