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04 de novembro de 2026 - 17:12

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Avanço do consumo segue concentrado em segmentos ligados à renda, e empresas recorrem ao histórico de pagamentos e ao comportamento

O aumento do peso das dívidas no orçamento das famílias está levando empresas do varejo a buscar informações mais detalhadas sobre a capacidade financeira dos consumidores antes de conceder ou intermediar crédito. Em junho de 2026, o comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 28,9%, maior nível da série histórica indicada pelo levantamento e cerca de 20% acima do registrado uma década antes.

O indicador, que considera os pagamentos relacionados a empréstimos e financiamentos, avançou 1,7 ponto percentual em relação a junho de 2025. Com uma parcela maior da renda destinada a compromissos já assumidos, diminui o espaço disponível para novas obrigações financeiras, o que torna mais relevante a avaliação individual do risco de cada cliente.

Nesse cenário, informações como histórico de pagamentos, frequência de compras e comportamento transacional começam a complementar os modelos tradicionais de análise de crédito. A utilização desses dados ganha importância principalmente para empresas que mantêm uma relação recorrente com os consumidores e, por isso, acumulam informações sobre seus hábitos financeiros.

“O desafio das empresas não é apenas oferecer financiamento, mas entender para quem, quando e em quais condições esse crédito faz sentido. Quando uma companhia conhece o histórico de relacionamento, o comportamento de pagamento e a frequência de consumo, ela passa a ter informações que ajudam a tomar decisões financeiras mais precisas”, afirma Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

Segundo a executiva, essa transformação também abre espaço para que soluções financeiras sejam incorporadas diretamente à jornada de compra, em vez de funcionarem como serviços separados da atividade principal das empresas.

A diferença entre o desempenho dos segmentos do varejo reforça esse movimento. Desde dezembro, os setores mais sensíveis à renda acumularam crescimento de 6,9%, quase cinco vezes a expansão de 1,4% registrada pelas categorias mais dependentes de crédito, segundo o Índice de Varejo Stone.

A distância permanece quando considerada a comparação anual. Os segmentos ligados à renda avançaram 8,4%, enquanto aqueles mais expostos às condições de financiamento cresceram 5,4%. No varejo restrito, o volume de vendas aumentou 1% em agosto ante o mês anterior e 6,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Os números mostram que a recuperação do consumo ocorre de forma desigual. Enquanto a renda disponível continua sustentando parte das compras, o custo do financiamento restringe o desempenho de atividades nas quais o crédito tem maior participação.

Mesmo com o ciclo de flexibilização monetária, os efeitos da redução dos juros levam tempo para chegar às condições oferecidas ao consumidor. O próprio Índice de Varejo Stone aponta que, diante dessa transmissão gradual da política monetária, o crescimento do setor em 2026 continua mais apoiado na renda das famílias do que na expansão do crédito.

Nesse ambiente, a capacidade de distinguir consumidores com diferentes níveis de risco tende a ganhar relevância. Para as empresas, a combinação entre dados financeiros tradicionais e informações geradas no relacionamento com o próprio cliente permite ajustar limites, condições e ofertas ao perfil de cada consumidor, em um momento em que quase três décimos da renda das famílias já estão comprometidos com o serviço das dívidas.

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