Oct
30
29 de outubro de 2026 - 17:11

O-consumidor-nao-quer-falar-com-canais-quer-falar-com-marcas-televendas-cobranca-1

Imagine entrar em contato com uma empresa pelo WhatsApp, explicar o que precisa, receber uma orientação e, alguns minutos depois, perceber que precisa ligar para uma central de atendimento para resolver o problema. Do outro lado da ligação, alguém pergunta: “Pode me explicar novamente o que aconteceu?”

É uma situação comum. E revela um problema maior do que parece. Para a empresa, o WhatsApp, o telefone, o e-mail, o chat e o SMS podem ser canais diferentes. Para o consumidor, são apenas diferentes portas de entrada para a mesma marca. Ele não quer falar com canais. Quer falar com a empresa.

Essa diferença de perspectiva será cada vez mais importante à medida que as empresas ampliam suas estratégias de comunicação digital e incorporam inteligência artificial às jornadas de atendimento, vendas e relacionamento. A conversa precisa sobreviver ao canal.

Falar em omnichannel sempre significou estar presente em diferentes pontos de contato. Depois, o desafio passou a ser integrar esses canais. Hoje, acredito que precisamos dar um passo além: integrar não apenas os canais, mas a conversa. O consumidor pode começar uma interação no WhatsApp, continuar por voz e receber a confirmação por e-mail. Para ele, isso deveria ser uma única jornada.

O problema é que, na prática, ainda estamos longe disso. A pesquisa The AI Production Paradox, realizada pela Sinch com 2.527 tomadores de decisão de empresas em dez países, mostra que 55% das organizações precisam desenvolver soluções próprias para preservar o contexto do cliente quando ele muda de um canal para outro.

É um número que merece atenção porque revela uma falha que o consumidor sente diretamente. Quando alguém precisa repetir seu nome, explicar novamente o problema, informar o número do pedido ou contar pela terceira vez o que já aconteceu, a experiência deixa de ser fluida. A tecnologia que deveria simplificar a jornada passa a criar atrito.

E o consumidor não atribui essa frustração ao sistema de CRM, à API ou à arquitetura de comunicação. Ele atribui à marca. Contexto é parte da experiência. Existe uma diferença importante entre personalização e contexto. Personalização é saber que determinado cliente comprou um produto, mora em determinada região ou costuma utilizar um determinado serviço.

Contexto é saber o que está acontecendo naquela conversa. Se uma pessoa já explicou seu problema no WhatsApp, a informação deveria acompanhá-la quando ela migra para uma chamada telefônica. Se iniciou um atendimento pelo chat e depois optou pelo e-mail, a empresa deveria ser capaz de continuar de onde parou.

Parece básico. Mas fazer isso em escala exige integração entre sistemas, canais e dados. E esse é um dos grandes desafios da próxima geração da comunicação com clientes.

A IA pode resolver o problema ou amplificá-lo. A inteligência artificial torna essa discussão ainda mais relevante. Agentes de IA podem ajudar empresas a oferecer atendimento mais rápido, personalizado e disponível em diferentes canais. Mas, para isso, precisam ter acesso ao contexto correto.

Uma IA sem contexto pode ser rápida e, ainda assim, proporcionar uma experiência ruim. Imagine um agente que responde em segundos, mas não sabe que o cliente já falou com outro agente, não reconhece uma solicitação anterior ou pede informações que já foram fornecidas.

Temos, nesse caso, uma tecnologia extremamente sofisticada reproduzindo uma experiência bastante antiga. O avanço da IA não deveria significar apenas respostas mais rápidas. Deveria significar conversas mais inteligentes. E inteligência, nesse caso, começa pela capacidade de entender o que veio antes. O fim da lógica de “cada canal, uma equipe”.

Esse movimento também vai exigir uma mudança na forma como as empresas organizam suas operações. Durante muito tempo, canais foram tratados como estruturas independentes. Havia a equipe do telefone, a equipe do e-mail, a equipe do chat, a equipe das redes sociais. Essa divisão fazia sentido quando os canais eram relativamente independentes.

O consumidor, porém, não pensa dessa maneira. Ele escolhe o canal mais conveniente naquele momento. Pode começar pelo WhatsApp porque está no celular, mudar para voz porque precisa resolver algo mais complexo e terminar por e-mail porque quer ter um registro. A jornada é uma só.

Por isso, o futuro da comunicação com clientes não será definido pela quantidade de canais que uma empresa oferece, mas pela capacidade de fazer com que eles funcionem como partes de uma mesma experiência. A métrica que realmente importa. Talvez seja hora de repensarmos algumas das métricas usadas para avaliar a comunicação com o cliente.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail: