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05 de novembro de 2026 - 17:12

Neon-busca-equilibrar-prudencia-e-ambicao-para-calibrar-crescimento-televendas-cobranca-1

Um das primeiras instituições financeiras digitais do Brasil registrou neste ano seu primeiro lucro semestral

Um das primeiras instituições financeiras digitais do Brasil, a Neon registrou neste ano seu primeiro lucro semestral. A base de clientes encolheu após uma revisão nos usuários que são microempreendedores individuais (MEIs), e a instituição tem adotado maior “prudência” no crédito, em meio a um contexto macroeconômico mais difícil. Ao mesmo tempo, reforça que tem grandes ambições de crescimento e que alcançar essas metas é uma questão de “quando” e não de “se”.

“Temos um plano de longo prazo muito claro, onde vamos investir, quais produtos queremos adicionar”, diz o CEO, Fernando Miranda. “Nossos pilares estão feitos, a inflexão de lucratividade continua e isso nos dá a possibilidade de investir ainda mais na marca, pensar em outras iniciativas de longo prazo.”

Miranda afirma que a Neon está entrando em uma nova fase, que traz como ambições um lucro anual acima de R$ 1 bilhão, rentabilidade perto de 25% e cerca de 50 milhões de clientes. “Não estamos aqui para uma corrida de 100 metros, é uma maratona.”

Para chegar a esse número de clientes, a Neon tem de praticamente dobrar sua base atual. O grupo terminou 2025com uma base de 32 milhões de usuários, mas agora reporta 27 milhões. Segundo o CEO, o banco tinha dois aplicativos, mas decidiu fundi-los em um só. “Tínhamos uma quantidade grande de contas no aplicativo de MEI, que saíram. Muitos migraram, mas outros já tinham conta na Neon também. Foi mais uma questão de simplificação.”

Segundo Miranda, a Neon abre cerca de 350 mil novas contas por mês e, se quisesse, poderia dobrar esse volume, mantendo um valor presente líquido (NPV, na sigla em inglês) por cliente positivo. De qualquer forma, Miranda diz que ainda não está no momento de acelerar. “Estamos cautelosos, olhando cada detalhe, justamente para a gente estar preparado. Na hora em que eu sentir que tem ares mais positivos, a gente vai acelerar para aumentar a capacidade de gerar cliente”, afirma.

O executivo diz que o mercado-alvo da Neon é de quase 105 milhões de trabalhadores, com um “pool” de receita anual de R$ 430 bilhões. “Se você tem um negócio que pode dar 4%, 5%, 6%, é um mercado gigante.”

O executivo afirma que foi alterando sua visão sobre o conceito de principalidade ao longo do tempo. “As pessoas têm dois ou três bancos nos quais concentram relacionamento. No nosso caso, o medidor de principalidade é o cliente que faz transação com a Neon toda semana. Quando você olha os indicadores de rentabilidade, esse cliente é drasticamente melhor que o outro. Então é ali que eu busco.”

A Neon teve lucro líquido consolidado de R$ 43,2 milhões na primeira metade deste ano, ante prejuízo de R$ 35 milhões no primeiro semestre de 2025 e de R$ 8,1 milhões no segundo semestre. O resultado da intermediação financeira cresceu 28,5% em um ano, a R$ 525,4 milhões. Já a carteira de crédito avançou 23,6%, a R$ 8,7 bilhões. Dentro do portfólio, o consignado privado avançou 18%, quase o dobro do ritmo do cartão de crédito, que cresceu 10%.

Segundo Miranda, há um deslocamento gradual da carteira em direção a produtos de menor risco, exatamente o que sustenta a resiliência de crédito no médio prazo. Depois de adotar uma postura mais conservador no início do consignado privado, ele diz que hoje está cautelosamente otimista com o produto. “A gente tomou a decisão estratégica de crescer com prudência no começo. Crescer muito menos, mas garantir que o modelo é sustentável. O que a gente vê hoje é que os indicadores individuais estão muito rentáveis, do ponto de vista de resiliência, de rentabilidade. O meu apetite hoje é bem maior do que eu tinha no passado.”

A fintech não revela o índice de inadimplência (atrasos acima de 90 dias), mas diz que as provisões para devedores duvidosos (PDD) tiveram alta anual de 12,6%, para R$ 808,8 milhões. Na avaliação do CEO, o próximo ano será mais duro do ponto de vista macroeconômico. “É aí que entra nossa preparação. A gente está, digamos, se preparando para o inverno, mas torcendo por um momento mais positivo. A gente tem investido muito na melhoria dos modelos, em dados, diminuiu um pouco o apito de crescimento do cartão de crédito. Temos uma inadimplência mais ou menos parecida com os pares, mas a grande diferença é que a gente consegue monetizar isso de uma maneira melhor.”

Fundada em 2016, a instituição se tornou um “unicórnio” (fintech avaliada em mais de US$ 1 bilhão) em 2022 com o aporte do banco espanhol BBVA. No ano passado, fez uma rodada de US$ 25 milhões na terceira tranche da sua série E de captação. Miranda diz que a fintech já gera capital para sustentar seu ritmo de crescimento e, assim, não precisaria de outro aporte. Segundo ele, uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) não está no radar por enquanto, mas também não pode ser descartada. “O plano de continuidade é gerar capital para pagar o crescimento e ainda acumular capital. Quando você passa a ter esses números, todo mundo fica perguntando se vai abrir capital. Então é algo que não está no meu plano estratégico, mas obviamente eu vou ser oportunista. Se o mercado melhorar, por que não?”.

No primeiro semestre, foram alocados cerca de R$ 200 milhões na aquisição de novos clientes, no desenvolvimento e aperfeiçoamento das tecnologias proprietárias e no uso intensivo de dados, segundo a fintech. Miranda diz que a Neon já usa inteligência artificial (IA) no atendimento ao cliente, na cobrança e em um assistente dentro do app. “É o começo de uma jornada mais disruptiva, mas ainda está nos primórdios”, afirma o executivo.

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