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O uso de voz nos celulares cai mais 16,5%

por: Afonso Bazolli
fonte: Valor Econômico
22 de junho de 2015 - 18:07

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Por: Ivone Santana e Heloisa Magalhães

Os consumidores brasileiros estão mais calados neste ano, ao menos por celular. O uso de minutos de voz mensal nas redes móveis das operadoras caiu 16,54% no primeiro trimestre de 2015 comparado a igual período de 2014. Até metade do quarto trimestre, o volume de minutos ainda crescia para Vivo e Claro, enquanto caia para TIM desde meados do trimestre anterior. Mas nos três primeiros meses de 2015 a queda foi geral.

O comportamento dos consumidores afetou, consequentemente, a receita média mensal por usuário de voz (Arpu, na sigla em inglês) do setor, que recuou 14,7% no período, para R$ 11,6.

Desde o quarto trimestre de 2013 os usuários já sinalizavam que falariam menos no celular. Houve uma pequena reação em meados do ano, quando o volume de minutos cresceu pouco mais de 3%, para voltar à tendência de declínio logo depois.

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As operadoras sentiram diferentes impactos no volume de minutos de voz no primeiro trimestre, na comparação anual. A queda foi mais acentuada na Claro (33,6%), seguida pela TIM (14%), Vivo (3,7%) e Oi (1,5%). A Oi não fornece detalhes sobre o indicador, como o valor em reais, mas a redução não foi tão abrupta quanto para as rivais, afirma Roberto Guenzburger, diretor de produtos de mobilidade da companhia.

Já a Claro esclarece, por meio de nota, que “a apuração de minutos de utilização por usuário em 2014 contemplava a base de clientes Claro e Embratel. Já em 2015, o levantamento refere-se apenas à base de usuários Claro”. Isso porque as empresas foram integradas e o tráfego do código 21, antes replicado nas duas teles, foi unificado.

De modo geral, o menor volume de voz foi compensado por tráfego de dados para as teles. Mais consumidores passaram a aderir a planos diários ou mensais de dados. Dessa forma, o bate-papo é intenso por mensagens instantâneas de texto, ou até de voz, pelo WhatsApp, Messenger, Skype, Facebook e Twitter. Outra parcela, mesmo sem plano de dados, comunica-se com a tecnologia sem fio Wi-Fi, quando disponível, e também por mensagens de texto (SMS).

Não é à toa que a Claro, do grupo mexicano América Móvil, liberou ontem o acesso de seus clientes ao Facebook, Twitter e WhatsApp sem a redução da franquia de dados. A promoção incluirá todos os planos (pré-pago, pós-pago e controle). Com isso, a companhia espera estimular o uso de dados e atrair novos usuários.

Para Carlos Zenteno, presidente da Claro, o momento é propício para a oferta, pois o consumidor está mais cuidadoso com suas despesas e procura boas promoções.

A Vivo já não vende mais plano de voz isoladamente desde janeiro de 2014, nem no pré-pago, afirma Christian Gebara, diretor-executivo de negócios pessoa física da operadora. Voz virou um componente de outros pacotes com múltiplos serviços. Ainda é possível comprar só voz, se o usuário pedir, mas a empresa não divulga nem tem interesse nessa alternativa.

Em dois anos, a receita de dados poderá ultrapassar a de voz para as operadoras, opina Eduardo Tude, sócio-diretor da consultoria Teleco. Em sua opinião, o comportamento dos consumidores não tem relação com a situação econômica do país, e sim com o amplo uso do WhatsApp, apelidado de “ZapZap” entre os usuários.

“No ano passado, houve forte difusão de smartphones, que representam cerca de 70% dos celulares vendidos hoje. E acho que um dos grandes motivadores de compra é o WhatsApp, pois permite contato direito o tempo todo via mensagem”, diz Tude.

Mas Rodrigo Abreu, presidente da TIM, discorda. Em sua opinião, a macroeconomia mais desafiadora influenciou, sim. “Essa situação faz com que os usuários, em particular os pré-pagos, tendam a otimizar os seus gastos (não necessariamente gastando menos, mas concentrando o gasto em alguns serviços em detrimento de outros)”, informou por nota. “O crescimento de receita e uso dos dados, no entanto, continua impressionante, no nosso caso superior a 45% ano/ano.”

Na Vivo, as receitas móveis trimestrais cresceram 8,4% este ano, enquanto dados, SMS e serviços de valor adicionado (SVA) avançaram 30% e já representam mais de 40% das receitas móveis, segundo Gebara. Mais de 40 milhões de clientes da tele usam ao menos um dos 83 SVAs disponíveis no portfólio.

O diretor da Vivo atribui a queda de voz ao maior uso de SMS, como tendência mundial. Mas ressalta que a receita média por usuário no primeiro trimestre avançou 4,3%, para R$ 24,3 por mês, “ante média de R$ 15,9 da concorrência), na comparação anual. Em voz, a Arpu da Vivo foi de R$ 14,1 e em dados, R$ 10,2.

Guenzburger, da Oi, também conta com a evolução de dados para compensar o que considera “pequena queda em voz”. O executivo lembra que de janeiro a março deste ano os smartphones responderam por 49% da base da empresa, ante 20% no início de 2014. “A grande questão no mundo é que em alguns países o crescimento da receita de dados não compensa a de voz”, afirmou.

Procurada pelo Valor no dia 9, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) respondeu ontem que não teria tempo hábil para participar da matéria. (Colaborou Tatiane Bortolozi, de São Paulo)

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