
Segundo Ailton dr Aquino (fiscalização), houve um aumento de 24 casos em 2023 para 59 em 2024. na última atualização de outubro de 2025, o BC já havia registrado 68 incidentes do tipo neste ano
Os riscos cibernéticos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) tiram o sono do diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, segundo o próprio diretor. Em entrevista sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), Aquino destacou que o tema também deve tirar o sono de todos os membros da diretoria do BC.
“É um risco [incidente cibernético] que tira meu sono como diretor de fiscalização e agora acho que tira o sono de todos os membros da diretoria colegiada.”
Aquino fez a avaliação ao apresentar números que mostram um aumento na quantidade de incidentes cibernéticos relevantes reportados ao BC. Em 2023, por exemplo, foram 24. Em 2024 subiu para 59 e neste ano, até outubro, o número chegou a 68, sendo 37 relacionados à fraude.
O REF trouxe um estudo sobre o risco cibernético no sistema financeiro. Segundo o relatório, a materialização desse risco pode trazer implicações para instituições financeiras e de pagamentos, além de demonstrar “fragilidades” relacionadas a controles em instituições e provedores de serviços.
Nos últimos meses foram registrados ataques a instituições que utilizam Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs) para se conectar à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN). Desde então, o BC tomou uma série de medidas para reforçar a segurança do sistema. “O que eu gostaria de deixar muito claro aqui. As estruturas do BC, as estruturas do Pix, funcionam perfeitamente. São resilientes”, disse Aquino.
De acordo com o relatório, o processo de transformação digital implica em maior exposição das instituições aos riscos cibernéticos e isso leva a um aumento de ocorrências de incidentes operacionais. O REF também destacou que o BC vem desenvolvendo ações para melhorar a resiliência operacional e cibernéticas. “O BC vem trabalhando fortemente com seus times e reforçando seus times de supervisão e monitoramento acerca dos incidentes cibernéticos”, disse.
Aquino ainda ressaltou que os incidentes registrados nos últimos meses mostraram “claramente” que grupos criminosos têm conhecimentos “avançados” sobre a operação do sistema financeiro. “Esses eventos recentes apontam claramente elemento de engenharia social”, afirmou Aquino.
Na apresentação, o diretor relembrou as medidas tomadas recentemente pelo regulador para aprimorar a segurança no contexto do risco cibernético e dos ataques registrados nos últimos meses. Aquino lembrou da revisão para regras de capital mínimo e dos critérios para autorização de instituições de pagamento. “Essas medidas não se limitam. Outras virão com toda certeza em função dos eventos cibernéticos”, disse.
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