
Desfecho veio após fintech ficar inadimplente com Mastercard; custo para o fundo será de R$ 6,3 bi
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, que pertencia ao conglomerado Master, depois que a Mastercard suspendeu as transações feitas com cartões emitidos pela fintech e executou garantias de dívida. A instituição havia sido comprada pelo Master em 2024 e tinha foco na baixa renda. Segundo o BC, a liquidação foi decretada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da fintech, além “de sua insolvência”. O Will foi preservado quando o Master foi liquidado, em 18 de novembro, porque estava sendo negociada uma venda da unidade para o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, mas o acordo não avançou.
A estimativa inicial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é a de que, com a liquidação, terá de pagar aproximadamente R$ 6,3 bilhões aos depositantes do Will Bank. Não foi divulgado o número de usuários da fintech elegíveis às garantias. O pagamento do Will será consolidado com o do Master, no limite de R$ 250 mil. Assim, se um cliente tinha direito a um ressarcimento de R$ 200 mil do Master, agora poderá receber no máximo mais R$ 50 mil com o Will, mesmo que seus depósitos sejam maiores. Para o FGC, o desfecho dos casos de Will e Master terá um custo de R$ 46,9 bilhões.
A liquidação veio após a inadimplência em depósito que o Will deveria fazer junto à Mastercard, como parte do arranjo de pagamentos. Entre as garantias executadas pela empresa de cartões estavam ações do Banco de Brasília (BRB) e da Westwing, que tinham sido dadas em alienação fiduciária. A Mastercard passou a deter, segundo o BRB, 6,93% de seu capital. A empresa também ficou com 31,87% da loja de móveis e decoração.
O Will Bank foi criado em 2017 e cresceu rapidamente com uma linguagem simples e forte investimento em marketing, conquistando uma base de mais de 6 milhões de clientes, com foco principalmente em cartão de crédito e empréstimo pessoal. Dados do sistema IFData, do BC, mostram que, em setembro, o Will tinha R$ 14,166 bilhões em ativos. Os passivos somavam R$ 14,242 bilhões, concentrados em depósitos (R$ 6,558 bilhões), letras financeiras (R$ 1,238 bilhão) e outras obrigações (R$ 6,421 bilhões).
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