
Mecanismo foi usado durante a crise de 2008; fundo já desembolsou R$ 32,5 bi para pagar CDBs do Master
Instituições financeiras discutem com o Banco Central (BC) a possibilidade de direcionar os depósitos compulsórios para recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A autoridade estaria aberta à proposta, embora ainda não haja uma decisão, apurou o Valor. Esses recursos ajudariam a mitigar a conta que recairá sobre o sistema financeiro após a quebra do Banco Master, de aproximadamente R$ 55 bilhões. O FGC informou ontem já ter desembolsado R$ 32,5 bilhões para ressarcir investidores de CDBs do Master.
A redução do compulsório para reforçar o FGC já foi usada anteriormente, durante a crise financeira de 2008. A lógica é que, ao fazer isso, o dinheiro não precisa sair do caixa das instituições financeiras, algo que, dizem, poderia afetar a oferta e o custo do crédito. O compulsório representa a parcela dos depósitos captados junto a clientes que os bancos são obrigados a deixar guardada no BC, sendo uma ferramenta usada pela autoridade para regular a quantidade de dinheiro em circulação na economia.
No caso do compulsório sobre depósitos à vista, o BC não paga remuneração aos bancos. Como o dinheiro seria usado pelo FGC para comprar títulos públicos, não circularia na economia e, assim, sua redução não teria impacto na atividade e na inflação. Já os compulsórios sobre depósitos a prazo, pelos quais os bancos recebem uma remuneração, seria preciso encontrar uma fórmula de fechar a equação, segundo fontes. Se o BC liberar o compulsório e esse dinheiro for para o FGC, os bancos deixam de receber a remuneração, tendo assim um impacto financeiro negativo. Dessa forma, tem sido considerada nas propostas que o FGC pague uma remuneração aos bancos, algo equivalente à taxa Selic.
Participam das conversas Febraban (que representa os grandes bancos), ABBC (associação de bancos médios), Acrefi (financeiras) e Zetta (fintechs), além de representantes do FGC e do Banco Central.
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