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19 de fevereiro de 2026 - 17:12

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Para a Polícia Federal, conduta do banco estatal configurava falhas na governança do crédito e se dava de forma reiterada; procurado, BRB não se manifestou

Um mês depois de começar a comprar carteiras de créditos podres do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) assinou um Termo de Compromisso com o Banco Central e pagou uma multa de R$ 2,16 milhões por ter fornecido à autoridade monetária documentos “em desacordo com os prazos e as condições estabelecidas em normas legais”. Segundo a Polícia Federal, o objetivo do termo era corrigir o que seriam “erros de governança do crédito” e que comprovariam que o processo de análise do banco era falho – o que facilitaria a prática de ilícitos.

Procurado, o BRB não se manifestou.

O documento assinado em 10 de fevereiro de 2025, ao qual o Estadão teve acesso, aponta que o BRB vinha fornecendo documentos, dados e informações em desacordo com as normas estipuladas pelo Banco Central. Com isso, o banco estatal fechou acordo prometendo mudar regras e evitar punições mais severas, por meio de um processo administrativo sancionador.

“O presente termo tem por objeto a cessação ou a correção, pelos compromitentes, da prática de fornecer ao BC documentos, dados ou informações em desacordo com os prazos e as condições estabelecidas em normas legais ou regulamentares, conforme relatada no Processo Eletrônico 265407″, diz o documento.

Pelo Termo, o BRB se comprometia a cessar e corrigir tais práticas, sendo obrigado a firmar um plano de ação para melhorar procedimentos e submeter à análise do Banco Central.

Em paralelo à assinatura desse Termo, o BRB intensificava a compra de carteiras de crédito do banco Master que estavam sendo originadas de forma fraudulenta pela empresa Tirreno. A PF suspeita que essa empresa tenha sido criada apenas para criar esses contratos artificiais que foram revendidos ao BRB.

De janeiro a março de 2025, segundo o inquérito policial, o Master repassou ao BRB R$ 4,6 bilhões em 20 contratos de crédito, divididos da seguinte forma: seis contratos em janeiro, no valor de R$ 1,66 bilhão; seis em fevereiro, no valor de R$ 1,82 bilhão, e 8 em março, no valor de R$ 1,12 bilhão.

Segundo o Banco Central, esse “elevado apetite” por carteiras de crédito fizeram o BRB ficar desenquadrado do índice de Basileia, o principal indicador de prudência bancária – uma espécie de termômetro sobre a solidez das instituições financeiras.

“O elevado apetite por aquisições tem gerado impactos nos limites operacionais. Houve desenquadramento do índice de Basileia nos meses de janeiro e fevereiro de 2025″, dizem os técnicos do Banco Central.

‘Falhas reiteradas’

No inquérito que deu sustentação à Operação Compliance Zero os delegados Janaína Palazzo e Guilherme Siqueira afirmam que o BRB tinha problemas reiterados de governança e que isso se refletiu na análise das carteiras de crédito do banco Master.

Essa avaliação foi citada pelo juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite que decretou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

“A representação policial cita, ainda, que conduta do BRB relativa a falhas na governança do crédito se dá de forma reiterada, tendo em vista que o BRB, juntamente com suas subsidiárias (…) assinaram um Termo de Compromisso com o Banco Central do Brasil (BC), em 10 de fevereiro de 2025, após serem flagrados fornecendo documentos, dados e informações em desacordo com as normas legais e regulamentares”, diz o juiz.

De janeiro a junho de 2025, o BRB comprou, no total, R$ 6,7 bilhões em carteiras de crédito podre do Master, e pagou mais R$ 5,5 bilhões de prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões.

O Master as repassou ao BRB sem pagar um real por elas, mas recebeu à vista esse valor de R$ 12,2 bilhões. A suspeita da Polícia Federal é de que o acordo de compra de parte do Master para o BRB tenha sido a forma de camuflar a operação, como se o BRB tivesse feito uma espécie de empréstimo ao Master, que depois seria diluído no balanço do novo banco que seria formado entre as duas instituições.

“Considerando a cronologia e o contexto dos acontecimentos, é viável eplausível a hipótese investigativa “que a vontade inicial do BRB sempre foi de emprestar dinheiro ao Banco MASTER, mas não pôde fazê-lo diretamente em virtude de limitações de exposição”, diz a PF.

Essas carteiras foram originadas pela Tirreno, uma empresa classificada como “de prateleira” pela polícia federal. A Tirreno foi criada em dezembro de 2024 e começou a repassar os créditos ao Master em janeiro de 2025.

Em depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que não investigou a fundo os contratos e que fechou negócio “menos pela empresa e mais pela pessoa”. Ele se referia ao empresário Henrique Peretto, dono da Tirreno e também de outra empresa de crédito, a Cartos, com a qual o Master já mantinha relações.

Peretto foi convocado para prestar depoimento na polícia federal esta semana, mas não compareceu, por alegar que não teve acesso aos autos.

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