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Caixa terá ‘superapp’ e R$ 6,5 bilhões para tecnologia

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
22 de março de 2026 - 12:12 - atualizado às 18:00

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Até o fim do primeiro semestre a Caixa deve definir também sua estratégia de nuvem

Lúcio Camilo Pereira assumiu a vice-presidência (VP) de tecnologia e digital da Caixa há seis meses e desde então tem trabalhado para acelerar a transformação digital do banco público, processo esse que deve ser coroado com o lançamento de um superapp em junho. Com um orçamento de R$ 6,5 bilhões para a área este ano, o plano é manter iniciativas bem-sucedidas e implementar novidades, incluindo na questão da segurança cibernética.

A Caixa vai lançar nos próximos meses uma versão do seu app que consolidará 16 aplicativos em um só. Por um período de transição eles vão coexistir, mas a ideia é que, a partir de 2027 apenas o superapp permaneça.

O executivo diz que mesmo o app atual já passou por diversas melhorias nos últimos meses e já tirou boa parte do atraso em relação aos aplicativos de outros bancos incumbentes. “Muita coisa [das críticas ao [app] é um estigma que ficou dos últimos anos, mas a interface já mudou, melhoramos muito em identidade visual, funcionalidade, intuitividade”, diz.

Para 2026, a Caixa tem um orçamento de tecnologia de R$ 6,5 bilhões, dividido em infraestrutura (R$ 2,8 bilhões), inovação (R$ 2,5 bilhões), sistemas legados (R$ 300 milhões) e segurança da informação (R$ 400 milhões). O valor deste ano é inferior ao que foi orçado em 2025 (R$ 7 bilhões), mas superior ao que de fato foi executado no ano passado (R$ 5,7 bilhões). Camilo diz que preferiu fazer um orçamento um pouco mais enxuto, mas que será possível executar integralmente. “Temos muito planejamento para relacionar nossas capacidades e prioridades. A Caixa é um banco muito grande, com volumes de contratações altos, um processo de análise muito rigoroso, e se não priorizamos de maneira adequada, muitos contratos acabam demorando mais.”

Até o fim do primeiro semestre a Caixa deve definir também sua estratégia de nuvem. Atualmente, 30% do sistemas – incluindo a plataforma do novo super app – já estão em cloud, e o banco usa os serviços de Microsoft e AWS. Segundo Pereira, também estão sendo realizados testes com Google e Huawei. “Estamos experimentando alguns modelos e vamos definir qual será nossa estratégia, se teremos um provedor primário e um secundário.” De qualquer forma, a Caixa não vai migrar 100% para nuvem. “Tem coisas que vão ficar no nosso ambiente mesmo. Temos dois data-centers e estamos criando outro de contingência. Fizemos investimentos pesados e é uma infraestrutura robusta que suporta nossas plataformas.”

O banco criou em dezembro uma diretoria de segurança digital que concentra as questões de combate a fraudes e incidentes cibernéticos. Camilo diz que, após os ataques hackers observados no ano passado contra o sistema financeiro, a Caixa reviu suas defesas. “A questão de segurança da informação ganhou protagonismo, demandas que não eram prioritárias passaram a ser. Antecipamos alguns projetos e concentramos toda a equipe em uma só diretoria. Antes tinha gente espalhada nas áreas de risco, logística, TI, então o fluxo de diálogo ficava um pouco prejudicado quando tinha algo mais iminente”, diz.

A Caixa concluiu no ano passado a convocação de 2 mil novos funcionários aprovados em concurso para a área de tecnologia e o VP diz que seu desejo é já realizar uma nova prova para contratar mais gente. “Nós vimos os benefícios que os novos colegas trouxeram, oxigenaram muito a área, tiveram uma boa sintonia com os funcionários atuais. E nossa demanda é cada vez maior. Nosso recursos mais importante hoje são as pessoas”, afirma.

Na parte de inteligência artificial (IA), Pereira diz que a Caixa tem 35 mil licenças do Copilot (da Microsoft), que ajudam os funcionários a automatizarem fluxos de trabalho. Também tem usado um assistente de codificação, que ajuda os desenvolvedores e tem uma acurácia de 80%. No relacionamento com o cliente, lançou esta semana uma nova página de simulação de financiamento imobiliário, substituindo uma versão que estava no ar há 20 anos. “Nessa nova tela o cliente pode perguntar para um assistente de IA qual o melhor modelo de financiamento, como ele consegue descontos, tirar dúvidas que antes ele precisa ir até a agência para obter essas informações.”

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