
Nos sete primeiros meses do Plano Safra 2025/26, desembolsos somaram R$ 207,3 bi, R$ 30 bi a menos que no mesmo período do ciclo anterior
Com recordes de inadimplência e de pedidos de recuperação judicial no setor, num cenário de endividamento crescente, o crédito rural concedido pelos bancos nas linhas tradicionais de financiamento caiu quase 13% nos sete primeiros meses do Plano Safra 2025/26, na comparação com o mesmo período do ciclo anterior. De julho de 2025 até janeiro deste ano, os desembolsos somaram R$ 207,3 bilhões, R$ 30 bilhões a menos do que em igual intervalo da temporada passada.
Os valores para custear a produção caíram 13,4%, de R$ 135,1 bilhões para R$ 117 bilhões nos sete meses terminados em janeiro. Com menor disposição para investir num cenário de juros altos, as operações de longo prazo, principalmente para compra de máquinas, recuaram de R$ 65 bilhões para menos de R$ 50 bilhões. Os desembolsos para comercialização caíram 14%, para R$ 19,6 bilhões. Já os empréstimos para industrialização mantêm ritmo mais acelerado, com R$ 20,6 bilhões, alta de 42% no período.
A queda no acesso ao crédito é concentrada nos grandes produtores, que têm recorrido ao financiamento via Cédulas de Produto Rural (CPR), cuja contratação é menos burocrática e sem incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Os desembolsos desses títulos avançaram 37% no período e saltaram para R$ 143,22 bilhões até janeiro. Os dados foram compilados a partir do sistema do Banco Central no início da semana e podem mudar conforme a data de consulta.
O Ministério da Agricultura disse, em nota, que o ambiente está mais restritivo por fatores de demanda e de oferta de crédito. Relatos de produtores que visitaram nesta semana a Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), foram de preocupação com dívidas e custos altos da safra, levando a margens mais apertadas. Para Gustavo Freitas, diretor-executivo de Crédito e Negócios do Sicredi, a perspectiva mais clara de cortes na taxa Selic no início do ano e a expectativa de juros menores na próxima safra 2026/27, a partir de julho, levam produtores a adiar investimentos. “Na nossa visão, o ritmo dos investimentos vai cair, ainda que mantendo um avanço em relação à safra anterior”.
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