
Em 2025, houve aumento de 10,2%
Apesar da política monetária restritiva, o saldo das operações de crédito bancário do sistema financeiro cresceu acima das projeções do Banco Central (BC) em 2025. A expansão foi de 10,2%, ante uma estimativa de 9,4% divulgada pela autoridade monetária no último Relatório de Política Monetária (RPM), publicado em dezembro.
No último mês de 2025, essas operações avançaram 1,8%, alcançando R$ 7,123 trilhões, segundo relatório divulgado pela autoridade monetária.
Em um ano marcado tanto pela Selic em patamar elevado, de 15% ao ano, quanto pela atividade econômica resiliente, a expansão do crédito foi puxada principalmente pelas operações com pessoas físicas. O saldo desse tipo de operação teve alta de 11,6%, acima da projeção de 10,4% do BC. O saldo total de crédito para as famílias aumentou 1% no último mês, chegando a R$ 4,424 trilhões.
Outro destaque de dezembro foi o avanço das concessões dessazonalizadas totais, que cresceram 4,6% em relação ao mês anterior. O volume de novos empréstimos na série dessazonalizada, que retira fatores atípicos na análise de um determinado período — como número de dias úteis a mais ou a menos —, passou de R$ 655,4 bilhões em novembro para R$ 685,6 bilhões no último mês de 2025.
A alta das operações de crédito em 2025, apesar de maior que as projeções do Banco Central, representou desaceleração em relação a 2024, quando o avanço foi de 11,5%. A observação foi feita pelo chefe do Departamento de Estatísticas da autoridade monetária, Fernando Rocha, em entrevista coletiva para detalhar os números.
Por sua vez, em novembro o endividamento das famílias chegou a 49,8%, o segundo maior valor para um mês em toda a série histórica do BC. Em outubro, o endividamento das famílias junto ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) foi de 49,3%. O resultado do indicador ficou atrás apenas do registrado em julho de 2022, de 49,9%.
“No caso do comprometimento de renda, ele manteve-se em 29,3%, o mesmo resultado do mês de outubro, e é o maior valor da série”, disse Rocha.
De acordo com o Banco Central, o endividamento mede a relação entre o estoque atual das dívidas das famílias e a renda acumulada nos últimos 12 meses. Já o comprometimento avalia a parcela da renda mensal destinada ao pagamento do serviço da dívida, considerando uma média móvel trimestral.
Em relatório, a equipe econômica do Bradesco destacou ainda o crescimento da inadimplência do crédito livre para pessoas físicas em dezembro. “O aumento foi observado em todas as modalidades, com destaque para cartão de crédito”, diz o documento. “No caso das pessoas jurídicas, a inadimplência avançou para 3,5% em dezembro, ante 2,7% no mesmo período do ano passado.”
O Bradesco chamou atenção, no entanto, para a influência de mudanças metodológicas realizadas pela autoridade monetária para calcular o indicador.
“Segundo o Banco Central, cerca de 70% da inadimplência registrada até junho de 2025 decorre dessa alteração regulatória”, lembrou a equipe do banco.
Também em relatório, o diretor do departamento de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, disse projetar que o mercado de crédito enfrente turbulências nos próximos meses, “por causa de condições monetárias apertadas e do crescimento mais moderado da economia”, além da dinâmica do mercado de trabalho. Em sentido oposto, no entanto, a atuação dos bancos públicos deve compensar pelo menos em parte esse movimento, segundo ele.
Para 2026, o BC projeta crescimento nominal de 8,6% do crédito bancário. Segundo a autoridade monetária afirmou no RPM, a projeção tem influência do crédito direcionado, “em especial no segmento de pessoas jurídicas, que considera a sustentação de um nível mais elevado nos financiamentos garantidos” pelo Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac).
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