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16 de dezembro de 2025 - 17:12

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Entidade classificou postagem como “enviesada” e apresentou uma série de questionamentos, além de dados comparativos sobre a carga tributária dos principais bancos do país

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou nota nesta quinta-feira rebatendo uma publicação de David Vélez, cofundador e CEO global do Nubank, na qual ele afirmou que a fintech paga mais impostos “que qualquer grande banco”. A entidade classificou a postagem como “totalmente enviesada” e apresentou uma série de questionamentos ao executivo, além de dados comparativos sobre a carga tributária dos maiores bancos do país.

Como mostrou o Valor, no dia 26, Vélez disse em redes sociais haver “falsas narrativas” de quem “não está tolerando muito bem a competição e a transformação” trazidas pelos novos entrantes.

Segundo a federação, a análise de Vélez omite informações relevantes e não considera indicadores essenciais para avaliar o peso dos tributos pagos pelas instituições financeiras. A nota pergunta, entre outros pontos, “por que o Nubank abriu seu capital no exterior, e não no Brasil?”, “por que a sede fiscal do Nubank está fora do Brasil?” e se “existe um motivo específico para a sede fiscal ser nas Ilhas Cayman?”.

A entidade também questiona por que o executivo não comparou, em sua publicação, os valores de Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social (CSLL) com a rentabilidade das instituições. “Na sua postagem, David Vélez publicou dados de ‘impostos pagos’, conceito intrigante. Todos os bancos, inclusive o dele mesmo, são obrigados a divulgar, em seus balanços, os valores dos impostos devidos”, escreve a Febraban.

Com base em balanços auditados de 2025, a federação afirma que Itaú e Bradesco, por exemplo, devem mais impostos do que o Nubank. Os valores dos bancos seriam de R$ 11,3 bilhões e R$ 8,5 bilhões, respectivamente, contra R$ 4,9 bilhões da fintech. “Os impostos variam conforme a rentabilidade da operação. A empresa mais lucrativa deve, então, pagar mais impostos do que a empresa menos rentável.”

A Febraban destaca que o Nubank apresenta o maior retorno sobre patrimônio (ROE) entre as instituições analisadas, mas, ao relativizar o imposto devido pela lucratividade, a fintech teria o menor peso tributário proporcional do setor. “O Nubank apresenta, de longe, a maior lucratividade, praticamente o dobro da média dos demais bancos”, escreve.

O documento afirma ainda que, mesmo considerando os números usados pelo próprio Vélez, “o cenário não muda, e o Nubank continua longe da primeira posição de pagador de impostos”.

“Resumidamente, a empresa financeira mais rentável do setor é a que deve menos impostos”, diz a federação, acrescentando que isso permite elevada retenção de lucros após os impostos, configurando “maior e descabida” vantagem competitiva.

Em nota, o Nubank afirmou que não vai “ficar respondendo aos ataques”, visto que já apresentou sua posição e dados. “Queremos agora focar nossa energia no que mais gostamos: continuar oferecendo os melhores produtos e serviços financeiros no mercado.”

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