
Gestora está se firmando nos FIDCs por causa da visão de continuidade do forte ritmo do setor daqui para a frente, diz sócio
O Patria Investimentos anunciou hoje a compra de 51% da Solis Investimentos, uma das maiores gestoras de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) do país. O acordo prevê a compra dos 49% restantes em até três anos e marca a chegada com força do Patria ao segmento. Os valores do negócio não foram revelados.
O Patria tem hoje sob gestão US$ 50 bilhões, sendo mais de US$ 8 bilhões em crédito privado, classe em que é líder na América Latina. A Solis adiciona à área US$ 3,5 bilhões, ou seja, mais de 40% do total.
“Já somos o maior gestor de private equity, o maior de infraestrutura, o maior imobiliário e também queremos ser líderes em crédito estruturado, que tem no FIDC seu principal instrumento e a Solis entre as maiores do Brasil”, afirmou José Augusto Teixeira, sócio do Patria no Brasil, ao Valor.
Os FIDCs são um dos destaques de crescimento da indústria de fundos neste ano, uma onda que se seguiu ao “boom” dos fundos de crédito privado e de infraestrutura iniciado no ano passado. No total, o patrimônio líquido do segmento chega a R$ 800 bilhões, em patamar acima do registrado nas classes de multimercados e ações.
Para Teixeira, o Patria está se firmando nos FIDCs por causa da visão de continuidade do forte ritmo do setor daqui para a frente.
“Temos razões estruturais para essa previsão”, disse ele. “Há gargalos na oferta de crédito no Brasil, muito atrás do nível de demanda, que hoje estimamos em R$ 9 trilhões, sendo que R$ 4 trilhões são ‘FIDCáveis’”, enumerou.
Numa estimativa conservadora, comentou Teixeira, a demanda vai crescer 10% ao ano. “E, se você é líder, cresce mais que o setor.”
Os sócios-diretores da Solis, Delano Macêdo e Ricardo Binelli, permanecem à frente do negócio, inclusive com a manutenção dos escritórios em Fortaleza e em São Paulo. O modelo será o mesmo usado na compra da VBI Real State, assinada em 2022 e concluída em 2024 e que elevou o Patria ao posto de maior do setor imobiliário do país: a operação permaneceu independente até a finalização da compra e incorporação final, quando o fundador da VBI, Rodrigo Abbud, se tornou sócio do Patria. Nesse meio tempo, a VBI dobrou de tamanho.
As negociações, segundo Macêdo, começaram no fim do ano passado. O processo foi longo, explicou ele, porque a venda não estava nos planos da dupla. “As conversas evoluíram no sentido de tocar tudo juntos, reconhecendo o que fizemos até aqui e inclusive mantendo dois terços da empresa na sede em Fortaleza.”
A previsão é dobrar de tamanho entre 2026 e 2028. Neste ano, acrescentou, o avanço será de 45%. “Estamos preparados para o crescimento em um mercado de crédito ineficiente hoje e que quer ganhar eficiência.”
Em 2024, a Solis fez um movimento emblemático ao lançar o primeiro FIDC voltado ao investidor de varejo do país. Até outubro de 2023, este público era vetado para a classe (somente profissionais ou qualificados podiam comprar cotas). O Solis Pioneiro FIC FIDC chegou com aplicação mínima de R$ 100. O movimento não teve aumento significativo entre outras gestoras, ainda tímidas em acessar o público mais pulverizado. De acordo com Binelli, porém, o varejo tem reagido bem, com estabilidade nos aportes e nas retiradas.
Agora, com a chegada do Patria, a força ficará ainda maior no institucional, como lembra Binelli, mas o varejo não some dos planos. “O varejo permite casar o funding com ativos de baixo risco, mais adequados ao objetivo de retorno deste público, que naturalmente exige menos risco e, portanto, menos retorno.”
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