
No ano passado, montante financiado foi de R$ 5,6 bilhões; Head vê 2026 como ano da organização, o que pode impulsionar um 2027 melhor
O ano de 2025 para o E-agro, plataforma digital do Bradesco para o agronegócio, terminou com um crescimento expressivo no volume financiado. Enquanto em 2024 o montante foi de R$ 2,4 bilhões em crédito rural, o ano passado fechou com R$ 5,6 bilhões, o que representa mais de 133% de crescimento. A expectativa é de que, agora em 2026, haja um crescimento menor, na casa dos 20% a 25%.
Os dados da plataforma foram divulgados nesta terça-feira, 10, e mostram ainda que a carteira total de crédito rural terminou 2025 em R$ 6,3 bilhões. Para este ano, a projeção é também de crescimento, entre 25% e 30% do valor registrado no ano passado.
“Este ano, a gente ainda tem expectativas mais robustas, entendendo que existe bastante espaço que o digital ainda não entrou, e que a gente tem também um espaço no mercado, dado que alguns produtores que não foram atendidos onde tinha uma operação e que a gente pode entrar, e são carteiras que a gente chama saudáveis para o E-agro penetrar”, destacou a Head do E-agro, Nadege Saad, ao Agro Estadão.
Quanto ao crescimento observado no ano passado, a executiva coloca três pontos principais que explicam o salto dado de um ano para o outro no financiamento rural. Um deles é a facilidade para a tomada do empréstimo, uma vez que a operação é toda feita digitalmente, sem depender de cartórios ou idas à agência. Segundo ela, também foi importante a complementaridade nas propostas oferecidas, feito a partir das melhorias dos produtos ofertados.
Além disso, houve um avanço quanto aos tipos de ofertas. Inicialmente, a plataforma operava com as Cédulas de Produtor Rural (CPRs). Depois, passou a incorporar operações com recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Desses R$ 5,6 bilhões, cerca de R$ 1,4 bilhão são de financiamentos enquadrados em um desses dois programas.
Para 2026, a plataforma vai investir nas CPRs voltadas para clientes pessoa jurídica, com a intenção de englobar pequenos grupos. Também há planos para CPRs de máquinas, para ampliar a oferta de crédito na linha amarela.
Qual o perfil de quem toma o crédito?
Saad explica que dos tomadores de crédito, a maior parte poderia se enquadrar entre um perfil de produtor que está na transição entre pequeno e médio produtor. “Nosso tíquete médio hoje é entre R$ 600 mil a R$ 700 mil. Então, não é um produtor tão pequeno, que vai lá e toma R$ 30 mil, R$ 50 mil, mas não é aquele produtor que toma milhões”.
Outra característica da maior parte desse produtor é a finalidade. Atualmente, os pecuaristas são os que mais pegam empréstimo pela plataforma – de forma geral, para compra de reposição de matrizes ou para expansão de propriedades e do plantel. Depois, vêm os agricultores de grãos, com destaque para soja e milho, e há também agricultores de culturas mais perenes, como o café, e de hortifrúti.
Já em relação à localidade desses produtores, a maior concentração está na região Sudeste, com um crescimento elevado no Centro-Oeste e Norte do País. São Paulo, Minas Gerais e Paraná são os Estados que lideram a tomada de crédito.
Otimismo com 2027
Sobre a inadimplência do setor rural, Saad conta que a plataforma tem buscado garantias “mais robustas” para passar pelo momento. “É isso que estamos fazendo: negociando com o produtor, estendendo prazos das dívidas, gerenciando riscos”. Por isso também, a Head do E-agro aposta em um 2026 de arrumação da casa por parte dos produtores com perspectivas de melhoras para 2027. “O produtor vem se organizando para que, olhando mais para 2027, tenha um mercado um pouco mais saudável”, disse.
Internamente, o Bradesco prevê um cenário de neutralidade para 2026, com aspectos que podem ser favoráveis no próximo ano. “O quarteto ‘taxa Selic, preço do grão, preço dos insumos e fluxo de caixa do produtor’ deve entrar numa equação para que, ano que vem, a gente tenha subido e consiga reacomodar tudo”, disse o diretor de agronegócios do banco, Roberto França, durante o Show Rural Coopavel.
A Head ainda lembra do fator clima. “Se a gente não tiver intempéries de clima e coisas que aconteçam dentro da macroeconomia que nos prejudiquem, a gente vai para um cenário de otimismo em 2027”, completou.
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