
Após o fim dos impasses entre TCU e Banco Central, ministro entende que houve uma “convergência” de como atuar no caso do banco liquidado extrajudicialmente
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (13) que a liquidação do Banco Master é assunto de interesse do governo federal, tendo em vista que os bancos públicos respondem por um terço do caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Falando a jornalistas em entrevista coletiva na entrada do Ministério da Fazenda, Haddad reforçou a confiança no julgamento do Banco Central, que decidiu pela liquidação do Master em novembro de 2025. “Estou absolutamente seguro do trabalho que [Gabriel] Galípolo e equipe fizeram”, disse ele. “É um trabalho robusto. Muito robusto”.
Após o fim dos impasses entre Tribunal de Contas da União (TCU) e Banco Central, com a reunião de ontem (12) entre os órgãos, Haddad entende que houve uma “convergência” de como atuar no caso Master. Ele também avalia que as “coisas vão caminhar para o lado certo”, acrescentando que o caso Master pode ser uma das maiores fraudes do setor. “Podemos estar diante da maior fraude bancária do país”, disse.
A liquidação do Master estremeceu a relação entre TCU e BC, que chegou a apresentar recursos contra a inspeção que seria feita pelo tribunal no regulador. Os recursos foram retirados nesta terça-feira, como apurado pelo Valor.
Reunião entre TCU e BC
Na última segunda-feira (12), o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, afirmou que o Banco Central concordou na realização de uma inspeção na documentação de liquidação do Banco Master. Na data, Rêgo esteve com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O ministro Jhonatan de Jesus, relator no TCU do processo que analisa a atuação da autoridade monetária no caso Banco Master, também participou do encontro.
A reunião foi agendada após contatos entre os presidentes do TCU e do BC. Na última semana, após pressão pública e de integrantes da própria Corte, Jhonatan de Jesus recuou e decidiu submeter ao plenário a necessidade ou não de realizar uma inspeção nos documentos do Banco Central relativos à liquidação do Banco Master.
Em meados de dezembro, Jhonatan passou a pressionar o Banco Central no âmbito do processo de liquidação do Banco Master. O ministro passou a cobrar informações da autoridade monetária e chegou a afirmar que a decisão poderia ter sido “precipitada”. Além disso, ameaçou suspender os trâmites da liquidação por meio de medida cautelar, o que beneficiaria o banco e seus controladores. O movimento foi feito no contexto de uma representação do Ministério Público junto ao TCU, que pediu apuração sobre eventuais omissões do BC durante a crise do Master.
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