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Pesquisa on-line é caminho sem volta

por: Afonso Bazolli
em: Notícias
fonte: Valor Econômico
13 de julho de 2015 - 18:06

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Por: Katia Simões

Há pouco menos de cinco anos, pensar em fazer uma pesquisa de mercado com abrangência nacional era um evento oneroso para as empresas. Além do custo elevado, a empreitada tinha de considerar, por exemplo, o tempo de campo ocupado pelos pesquisadores, a tabulação dos dados para, só então, analisar os resultados e colocar a mão na massa. Com a expansão da internet, a tarefa tornou-se mais fácil e ágil. Em poucas horas o fabricante consegue saber, por exemplo, se a maioria dos consumidores prefere eletrodomésticos brancos ou coloridos, ou se o brasileiro está disposto a pagar mais por um produto ecologicamente correto, entre milhares de outras possibilidades.

Foi na Europa e nos Estados Unidos que as pesquisas on-line começaram a ganhar espaço há cerca de uma década. Conquistaram a preferência das empresas e, hoje, já recebem 35% de tudo o que é gasto com pesquisa no mundo, segundo a European Society for Opinion and Market Research (Esomar). “O mercado vive um momento de consolidação na Europa e nos Estados Unidos, enquanto no Brasil ainda é muito novo”, afirma Bruno Baro, sócio da NetQuest, startup de origem espanhola, com escritórios instalados em oito países e uma subsidiária no Brasil. Realiza uma média de dois mil estudos por ano, com mais de 3 milhões de entrevistas.

A NetQuest Brasil foi aberta em 2010, quando quase ninguém apostava no modelo de negócio por aqui. “Nosso grande desafio foi, e ainda é, convencer o cliente de que é possível fazer pesquisa com dados reais, mesmo sem a figura do pesquisador”, diz Baro. “Muitos dos nossos clientes acreditavam que a maioria das pessoas poderia mentir diante do computador.”

Quebrar paradigmas continua sendo o grande desafio dos empreendedores que apostam nesta ferramenta, segundo informa Duílio Novaes, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep). “Tudo ainda é muito novo, porém, não terá mais volta. As empresas tradicionais terão de se adaptar e adotar a tecnologia para manter suas participações no mercado”, adverte. “A pesquisa convencional, entretanto, não irá acabar. Isso ocorre porque algumas das avaliações, tais como sabores, cheiros e test drive ainda exigem o olho no olho”. Atualmente, mais de 30% das pesquisas realizadas na Europa e Estados Unidos são online. No Brasil, segundo Novaes, esse percentual não ultrapassa os 4%, tendo muito a crescer em um futuro próximo.

Foi de olho nesse crescimento e no farto banco de pessoas dos mais variados perfis que havia armazenado quando monitorava informações para os sites de e-commerce, que a empresária Daniela Daud Malouf decidiu transformar a QualiBest, empresa especializada em pesquisa de mercado, em um instituto de pesquisa on-line. O ano de 2008 marcou a virada, caracterizando a empresa como uma das pioneiras de um mercado que naquela ocasião era nascente. Desde, então, soma mais de 250 mil usuários cadastrados em todo o país, interessados em compartilhar opiniões e a ajudar a melhorar os produtos e serviços.

A QualiBest já realizou mais de 2.500 estudos, para uma carteira de cerca de 400 clientes corporativos, de pequenas empresas a multinacionais. “Nos últimos seis anos, não paramos de desenvolver ferramentas e tecnologias que ajudassem a agilizar as informações e a segmentar o público-alvo de cada um dos mercados estudados”, afirma Daniela. “Assim, conseguimos oferecer não apenas pesquisas sob-medida para as empresas. Também fazemos levantamentos sobre determinados nichos, atendendo pedidos até mesmo dos próprios institutos de pesquisa.”

Com um faturamento estimado de R$ 4 milhões este ano, a QualiBest deu um passo à frente aos modelos tradicionais de pesquisa. Para atrair mais respondentes, a empresa usa várias metodologias que englobam desde a publicação de posts dentro dos grupos selecionados para determinado painel até introdução de filmes, realização de tarefas e o uso de recursos multimídias que permitem a simulação de uma gôndola de supermercado, onde os produtos podem ser observados por todos os lados. “A evolução da pesquisa online é montar painéis especiais para os clientes”, diz Daniela. “Realizamos um sobre o tema ‘caspa’ para a indústria da beleza, levamos seis meses conversando com as pessoas em formato de diário. Não há mais barreiras, a ordem é ser criativo na hora de lidar e apresentar o conteúdo ao cliente”.

No caso da QualiBest os respondentes constituem uma rede fechada, onde cada membro entra por indicação. Na maioria das agências de pesquisa on-line, contudo, o banco de respondentes é criado a partir do cadastramento voluntário. “O respondente precisa ser atraído para responder a qualquer pergunta de maneira ágil e eficiente”, afirma Lucas de Melo, sócio da MeSeems, startup de pesquisa online, aberta em abril. “Nós adotamos a técnica da ‘gamificação’ com bonificação. Quanto mais interações, indicações de amigos, respostas e feedbacks ele nos dá, mais pontos acumula”, diz o empresário. “Os pontos são convertidos em prêmios como recarga de celular, entrada de cinema e até doações para algumas entidades assistenciais”.

Se por um lado é preciso compensar os participantes, por outro, os contratantes conseguem obter resultados muito rápidos de regiões muito específicas ou do país como um todo. “Essa talvez seja a grande vantagem de se optar por uma pesquisa online”, avalia Felipe Schepers, COO da Opinion Box, startup mineira, resultado da associação entre a Expertise, empresa de pesquisa e inteligência de mercado, e a Pentagrama, focada em tecnologia da informação. Segundo ele, a média de entrega dos resultados é de 48 horas, a preços que começam a R$ 4 por entrevista.

Batizado de Heap Up, o painel online da Opinion Box entrou em operação em 2012. A ferramenta foi utilizada nos primeiros 15 meses em mais de 150 projetos, com um total de 230 mil entrevistas, 110 mil respondentes e 400 clientes em carteira. O grande diferencial, segundo Schepers, é a integração da plataforma de criação das questões com a de respostas dos participantes, permitindo que os usuários acompanhem os resultados em tempo real. Com um faturamento estimado de R$ 1,6 milhão para este ano, a start up lançou em junho aplicativos para IPad, IPhone e Androide, a fim de que as pessoas possam responder às pesquisas a qualquer hora e de qualquer lugar.

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