
Por: Ivone Santana
A voz na rede móvel ainda representa a principal receita das operadoras, mas praticamente não cresce e tende a ser superada no médio prazo pela receita de dados e de serviços de valor adicionado (VAS ou SVA). Entram nessa categoria aplicativos e serviços extras, como o que aumenta as opções de personalização do som da chamada do celular. Na TIM, a expectativa é que a receita de valor adicionado supere a de voz em menos de três anos, prevê o diretor Fábio Cristilli. Na Claro, voz será ultrapassada por dados em até quatro anos, calcula o diretor Alexandre Olivari.
A receita de voz vem caindo no Brasil como um todo, reconhece Maurício Romão, diretor da Vivo. Segundo ele, as empresas passaram pela primeira onda, que era voz, agora é a vez de dados. Mas haverá um limite de penetração também para o serviço de dados. “A indústria é dinâmica, então já começamos a terceira onda, de VAS. Não creio que seja um entendimento de todo o mercado, nos adiantamos com a estratégia”, diz Romão.
Para que a terceira onda venha com força, o setor depende de smartphones baratos e acesso à internet móvel em banda larga veloz e com qualidade, o que é mais viável em rede 4G.
Na Oi, a receita de dados (internet móvel mais SVA) atingiu R$ 1,4 bilhão no consolidado de janeiro a setembro de 2014. Segundo o diretor Roberto Guenzburger, o volume de tráfego da operadora cresceu 80% no terceiro trimestre do ano passado. A receita desse serviço evoluiu 16% no segmento pós-pago e acima de 90% no pré-pago, incluindo o plano controle. Como o plano de dados tem pouca adesão no pré-pago, é nesse segmento que está o potencial e onde se espera que ocorra o maior crescimento.
Nos últimos dois anos, os consumidores começaram a trocar com mais intensidade seus celulares básicos por smartphones. A maioria das pessoas quer acessar redes sociais, trocar mensagens instantâneas, vídeos. Para isso, é preciso um plano de dados. Quando os clientes começam a degustar o serviço, querem cada vez mais conteúdo, aplicativos, e é aí que as operadoras começam a melhorar a receita por usuário.
Como tráfego de dados e vídeo consomem mais capacidade de rede, as empresas precisam aumentar os investimentos em infraestrutura. A Oi fez várias alterações no segmento pré-pago desde novembro, segundo Guenzburger. O cliente pode navegar com a capacidade que seu celular 2G ou 3G permitir, mas em 4G ainda depende de mudanças nos sistemas e no núcleo da rede, o que está previsto para o primeiro semestre. Para o pós-pago não há restrições técnicas.
Na Vivo, a receita de serviço de valor adicionado atingiu R$ 1,2 bilhão nos primeiros nove meses de 2014, com 42,8 milhões de clientes ativos. A cifra foi 45% maior que em igual período de 2013.
O portfólio de SVA na Vivo conta com 68 produtos. O campeão de vendas é o Vivo Som de Chamada, que permite ao cliente escolher a música que seu interlocutor ouvirá quando discar para seu número. O serviço custa R$ 2,99 e tem 6,2 milhões de clientes.
A Oi está tentando trazer novidades para seus usuários, diz Guenzburger. A empresa lançou em julho o Oi Apps Clube. Ao assinar, o cliente tem direito a baixar aplicativos da operadora. O serviço obteve 500 mil adesões. Já o aplicativo Conselheiros, que envia dicas diárias de gastronomia, saúde etc., alcançou 1 milhão de clientes.
O serviço de valor adicionado mais popular da TIM para smartphones, com 3 milhões de clientes, é o TIM Protect, para fazer backup de arquivos e proteger contra vírus. Na sequência está o TIM Music, com 700 mil assinantes.
A aposta da Claro é na linha “care billing” de aplicativos. Por esse modelo, a operadora se responsabiliza pela cobrança dos serviços aos usuários, em vez do desenvolvedor do aplicativo. Segundo o diretor Alexandre Olivari, a penetração de cartões de crédito ainda é baixa no pré-pago, principalmente para serviços de baixo valor. Com o “care billing”, a operadora faz a cobrança pela conta do pós-pago do cliente, se houver, ou desconta dos créditos do pré-pago e repassa a comissão do desenvolvedor. O executivo diz que houve forte expansão do modelo em 2014 e continua a fechar parcerias neste ano.
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