
Liquidação extrajudicial de mais um banco acende a ‘luz amarela’
Primeiro foi o Master, depois o Will Bank e agora é o Banco Pleno a entrar na lista de instituições que tiveram decretada liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Logo pela manhã desta quarta-feira, o BC emitiu nota informando sobre a situação do Banco Pleno junto com a Pleno Distribuidora de Títulos liquidação e Valores Mobiliários S.A. Com isso, acendeu-se uma luz amarela. Isso porque o custo do crédito pode subir no banco pequeno e também no grande.
Dados do BC indicam que até setembro do ano passado, a instituição– que fez parte do conglomerado do Master até 2025- concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN), que somavam R$ 18,07 trilhões, totalizando aproximadamente R$ 7,2 bilhões. O Pleno tem base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões, informou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Jansen Costa, fundador da Fatorial Investimentos, explicou à reportagem do Monitor Mercantil o peso dessa liquidação e seu impacto na tomada de crédito.
O que representa a liquidação do Banco Pleno?
A liquidação do Banco Pleno é uma derivada do Master, apesar de serem já conglomerados separados (foi vendido no segundo semestre do ano passado ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro). A quebra dele (que é o terceiro banco na sequência) aumenta o risco de causar problema no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Dado que se retira mais dinheiro no FGC, mais risco de obrigar outros bancos a se capitalizarem. Lembrando que a regra do FGC é de R$ 1 milhão por CPF e de R$ 250 mil por banco (possui uma garantia de R$ 250 mil por investidor, por instituição, no entanto, o fundo estabelece um teto de R$ 1 milhão para cada um, renovável a cada 4 anos para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ). Agora, o fundo só tem R$ 250 mil para os próximos 4 anos em caso de quebra de outro banco. Esse CPF não vai colocar recursos em bancos pequenos. Ou seja, fica mais difícil a captação de recursos de bancos menores. Por consequência, há um fortalecimento dos bancos maiores em detrimento dos menores.
Qual o risco de haver uma série de outras instituições do mesmo porte na mesma situação?
Esse processo de quebra (do Pleno) é uma derivada do Master que foi uma fraude, com uso indevido dos recursos. O problema é que os bancos menores terão mais dificuldade de captar dinheiro. Deveriam mudar as taxas de captação desses bancos. Se o banco captava, por exemplo, 107% do CDI ou 108% por dois anos, com a falta de recursos, ele deveria pagar um pouco mais.
De que forma isso prejudica investimentos no país, analisando pelo viés da insegurança econômica?
O custo do crédito deve ficar mais alto, tanto no banco grande quanto no pequeno. O que vejo são dificuldades de captação de bancos menores através das plataformas de investimento. A XP, o BTG ou qualquer outro banco que quer captar recursos terá uma grande dificuldade. Ninguém vai querer receber 107 ou 108 por dois anos de aplicação.
O que os correntistas de bancos menores podem fazer para “se blindar’’, se isso não parar por aí?
Os correntistas de bancos menores geralmente são clientes que não têm tanto dinheiro quanto os investidores. Podemos comparar uma pessoa que tinha dinheiro aplicado em CDBs do Wil Bank versus os correntistas do mesmo banco. O Wil captava dinheiro através das plataformas para emprestar dinheiro aos correntistas. O que vejo é que bancos que têm esse mesmo modelo de negócio — que não têm correntistas aplicadores, mas só tomadores –terão custo de captação um pouco mais elevada. Recentemente tivemos um banco com a mesma estrutura de médio porte, o Agibank que se capitalizou através da abertura de capital.
Não estou dizendo que o Agibank tenha problema. Mas, dificilmente uma pessoa que abriu conta no Agibank, por exemplo, aplica o dinheiro por essa plataforma. Geralmente, os CDBs de um banco como esse serão vendidos para a XP ou BTG. Temos outros exemplos, como o Banco Original que também acabou de abrir capital. São bancos que emprestam mais e dependem do funding através das plataformas. Ou seja, bancos que captam através das plataformas terão problemas com certeza. Um pouco diferente de grandes bancos como Bradesco, Itaú etc, que têm aplicadores e tomadores.
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