
O Código de Hamurábi, por volta de 1700 a.C., estabeleceu leis para regulamentar atividades bancárias, como depósitos, empréstimos e responsabilidades dos banqueiros
As primeiras transações financeiras surgiram há milhares de anos, em decorrência do crescimento do comércio e da agricultura. De acordo com o texto “History of Banking”, publicado pelo professor doutor Archana Verma, os primeiros modelos de banco apareceram por volta de 2000 a.C. na Assíria e na Suméria (território atual do Iraque), e na Índia, com os comerciantes emprestando grãos a agricultores e mercadores.
Na Mesopotâmia e na Babilônia, templos e palácios passaram a guardar riquezas e oferecer empréstimos. As operações financeiras eram registradas em tábuas de argila, mostrando que já existiam contratos, depósitos e cobrança de juros. O Código de Hamurábi, por volta de 1700 a.C., estabeleceu leis para regulamentar atividades bancárias, como depósitos, empréstimos e responsabilidades dos banqueiros.
Com o avanço das civilizações, os serviços bancários se expandiram para Grécia, Roma, Egito e China. Na Grécia antiga, templos funcionavam como locais seguros para guardar dinheiro e realizar trocas de moedas e empréstimos. Em Roma, surgiram casas bancárias privadas e cambistas que trabalhavam em bancos de madeira chamados “bancu”, origem da palavra “banco”.
Durante a Idade Média, o sistema bancário moderno começou a se desenvolver nas cidades italianas de Florença, Veneza e Gênova. Comerciantes italianos criaram os chamados bancos mercantis para financiar viagens comerciais e operações de compra e venda de mercadorias. Famílias como os Médici tiveram grande importância nesse processo e ajudaram a espalhar a atividade bancária pela Europa.
Entretanto, foi no século XVI que ocorreram as mudanças mais profundas na economia europeia, especialmente nos campos das finanças internacionais. Embora banqueiros medievais como os Bardi, Peruzzi e os próprios Médici já atuassem em escala internacional, somente nesse período surgiu um sistema bancário internacional plenamente estruturado, sustentado por um mercado monetário organizado, de acordo com a Enciclopédia Britannica.
Os principais responsáveis por essa transformação foram as casas bancárias do sul da Alemanha, sobretudo nas cidades de Augsburg e Nuremberg. Esses banqueiros atuavam como intermediários financeiros entre centros econômicos do sul da Europa, como Roma e Veneza, e o grande polo financeiro do norte europeu, Antuérpia. Utilizando cartas de câmbio negociadas em bolsas espalhadas pelo continente, eles passaram a movimentar enormes quantias de dinheiro.
Um dos exemplos mais marcantes foi o de Jakob II Fugger, conhecido como “o Rico”. Em 1519, o banqueiro de Augsburg reuniu quase 2 milhões de florins para Carlos I da Espanha, membro da dinastia Habsburgo. O dinheiro foi utilizado para influenciar os eleitores imperiais e garantir a eleição de Carlos como Sacro Imperador Romano-Germânico, sob o nome de Carlos V. O episódio mostrou como o poder financeiro passou a influenciar diretamente as decisões políticas da Europa.
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