
Indicador sobe 3,1 pontos percentuais no ano e fica acima de outras modalidades

A inadimplência das operações de crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada subiu para 8,6% em junho, o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 2011.
Dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela autoridade monetária mostram que a inadimplência na linha aumentou 3,1 pontos percentuais neste ano, distanciando-se da média do consignado para servidores públicos (2,6%) e aposentados (1,9%). Também está acima da média nacional dos atrasos acima de 90 dias quando consideradas todas as modalidades de crédito do sistema financeiro nacional (SFN), que foi de 4,7% em junho, também em nível recorde.
O novo modelo do crédito consignado para trabalhadores do setor privado foi lançado no ano passado pelo governo federal, permitindo por exemplo a negociação direta com as instituições financeiras. Em junho deste ano, houve a regulamentação do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para obter crédito mais barato nesta linha. Com as regras, a taxa de juros das operações com garantias do FGTS ficou limitada a 1,99% ao mês.
Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que “acompanha com atenção a evolução da inadimplência no consignado privado”.
“Trata-se de uma modalidade que, diferentemente dos consignados para aposentados e servidores públicos, está sujeita à dinâmica do mercado de trabalho, como desligamentos, mudanças de emprego e interrupções temporárias dos descontos em folha”, diz. “Além disso, o próprio modelo depende da atuação coordenada de trabalhadores, empregadores, Dataprev [estatal federal responsável por processar os dados] e instituições financeiras para que o fluxo de pagamento funcione adequadamente.” Por isso, é “necessário um período maior para avaliar o desempenho das novas operações”.
Já a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) diz que a inadimplência recorde é um alerta não só por aspectos macroeconômicos, mas principalmente por “problemas operacionais” do produto.
“Como o produto ainda não atingiu a plenitude de suas potencialidades, vem enfrentando a materialização de riscos que têm impactos relevantes nos atrasos”, diz. Entre os principais fatores para esses atrasos, segundo a entidade, destacam-se justamente as dificuldades no fluxo operacional envolvendo empregadores, plataformas do governo federal e bancos.
Se por um lado a garantia pode contribuir para reduzir a inadimplência do consignado, por outro o teto de juros tende a diminuir a atratividade das instituições financeiras para trabalhadores da iniciativa privada, segundo o chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.
Em nota, os ministérios da Fazenda e do Trabalho e Emprego afirmaram que “os indicadores de inadimplência são acompanhados de forma contínua pela equipe econômica”. “No caso específico do consignado privado, o acompanhamento se traduziu em medida concreta”, dizem, citando a regulamentação das garantias via FGTS.
Também afirmam que a inadimplência “do consignado privado é historicamente mais alta” do que a de servidores públicos por exemplo, já que “o desconto em folha depende do vínculo ativo”. “Quando o trabalhador é desligado, o fluxo de pagamento é interrompido. É exatamente esse risco que as garantias sobre verbas rescisórias e FGTS passaram a mitigar.”
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