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Consumidor está menos otimista que empresário

por: Afonso Bazolli
em: Notícias
fonte: Valor Econômico
08 de abril de 2015 - 18:05

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Por: Arícia Martins

A rápida piora do ambiente econômico na virada do ano derrubou a confiança de empresários e consumidores, mas a deterioração no segundo grupo foi mais expressiva, o que, para economistas, limita uma recuperação do comércio mais à frente, mesmo após os resultados positivos de janeiro.

Na última sexta-feira, o IBGE divulgou que o volume de vendas no varejo restrito (não inclui automóveis e material de construção) cresceu 0,8% sobre dezembro, feitos os ajuste sazonais, depois de recuo de 2,6% no dado anterior. No segmento ampliado, que considera esses dois setores, a alta foi de 0,6%, o que não compensa o tombo de 3,6% de dezembro.

O desempenho foi acima do esperado, mas não animou os analistas, dado que, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), que atribuem uma mesma base à confiança empresarial e do consumidor para compará-las, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 4,9% em fevereiro, após ter caído 6,7% em janeiro, sempre em relação ao mês anterior, feito o ajuste sazonal.

Com essa trajetória, o ICC atingiu 74,7 pontos no mês passado, menor nível da série histórica que o compara ao índice empresarial, iniciada em junho de 2008, e se situou 2,6 pontos abaixo do Índice de Confiança Empresarial (ICE), que está em 77,3 pontos. Para calcular esse indicador – que diminuiu 1,4% e 5,7% em janeiro e fevereiro, respectivamente – o Ibre agrega, por pesos econômicos, os índices da indústria, dos serviços, do comércio e da construção.

Numa análise um pouco mais longa, o índice do consumidor também “perde” do dos empresários, diz Aloísio Campelo, superintendente-adjunto de ciclos econômicos do Ibre-FGV, já que, na média dos últimos cinco meses, encolheu 3,6%, ante queda de 1,3% do indicador empresarial. Além disso, o ICC está 3,3 pontos abaixo da média histórica dos últimos cinco anos, distância também maior que os 2,6 pontos a menos do ICE.

As duas pesquisas são diferentes e o ICC costuma mostrar volatilidade maior que o ICE, mas Campelo afirma que, no momento, existem mais motivos para a piora do humor dos consumidores, porque, os empresários já haviam antecipado a magnitude do ajuste.

Para o consumidor, no entanto, a análise de que 2015 será um ano muito difícil parece ter vindo somente agora, com o impacto das medidas econômicas restritivas na “vida real”: o aumento das tarifas de transporte, energia e combustíveis e a inflação de alimentos pressionada pelos problemas climáticos desencadearam a reação negativa da confiança, afirma Campelo.

Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria, acrescenta o agravamento da falta de água no Sudeste como outro fator que explica a queda mais acentuada da confiança do consumidor, o que também se refletiu nos índices de popularidade dos governantes. “Há uma percepção negativa sobre a economia e sobre o governo”. Para Campelo, o noticiário econômico mais negativo levou o consumidor a se preocupar mais com o mercado de trabalho. “Antes, a economia ir mal era algo mais externo ao consumidor, que não era tão pessimista em relação à família.”

Como exemplo, diz que, dentro do ICC, há uma pergunta sobre a situação financeira da família. Em fevereiro, 17% dos consumidores pesquisados avaliaram a situação financeira atual como ruim, acima do percentual de 15,9% que a classificou como boa. De acordo Campelo, a fatia de consumidores insatisfeita com seu orçamento atual não superava a parcela de respostas favoráveis desde abril de 2007.

Olhando à frente, também não há sinais de retomada: em fevereiro, o índice de expectativas do consumidor caiu 4,2% sobre janeiro. Nesse ponto, consumidores e empresários estão bem alinhados: em ambos os casos, as expectativas estão em nível historicamente baixo.

Baggi, no entanto, vê uma diferença. Enquanto os empresários entendem que o processo de ajuste é amargo, mas pode trazer benefícios mais à frente, para o consumidor, os efeitos imediatos das medidas restritivas tornam essa conclusão mais difícil.

Campelo não concorda com essa avaliação, mas destaca que as expectativas têm influência sobre o nível de atividade, porque devem levar a postura mais cautelosa das famílias. No cenário do Ibre, o consumo das famílias vai encolher 0,3% em 2015, estimativa que se baseia na esperada alta da taxa de desemprego, que deve reduzir os ganhos salariais, e nos fortes reajustes de preços administrados.

Para Alberto Ramos, chefe de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs, uma série de fatores explica os índices de confiança deprimidos, como a política monetária mais apertada, a inflação ascendente, condições mais restritivas do crédito e o enfraquecimento do mercado de trabalho. O mau humor de empresários e consumidores, disse Ramos, ainda deve causar “turbulências” no consumo privado e na atividade em geral nos próximos meses.

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