
Por: Lara Rizério
Um dos setores mais resilientes ao atual cenário de queda da atividade, bancos devem sofrer com maior inadimplência e piora do setor corporativo, avalia Credit Suisse
Uma nova temporada de resultados vai começar em julho e os bancos brasileiros devem ter novamente um lugar de destaque. O setor financeiro costuma registrar recordes de lucros.
Porém, isso não quer dizer um cenário sem turbulências e preocupações. O ano de 2015 está sendo movimentado para as ações do setor bancário e o cenário econômico de queda da atividade, que afeta e muito o setor.
Mas será que os bons fundamentos dos bancos continuarão a superar os desafios macroeconômicos quando o assunto é qualidade de ativos? Quanto as provisões do setor aumentarão nos próximos anos? Esta é a pergunta que os analistas do Credit Suisse, Marcelo Telles, Daniel Magalhães, Alonso Garcia e Victor Schabbel.
A princípio, os analistas destacam que não sabem, mas elaboraram um cenário para o setor. Eles destacam que os bancos diminuíram o balanço de risco significativamente, para produtos de menor risco e também diminuindo o risco da carteira de clientes. Isto permitiu que os bancos vencessem o ambiente macroeconômico ruim dos últimos dois anos, com melhorias importantes no nível micro (políticas de crédito, avaliação de risco, mix de produtos).
No entanto, o desempenho econômico tem sido tão ruim e tão prolongado que, segundo os analistas, está se chegando a um ponto em que o ambiente macroeconômico fraco deve prevalecer e a inadimplência deve subir e, muito provavelmente, de uma forma mais poderosa do que o mercado parece estar esperando.
Em 2016 a CAGR (Taxa Composta de Crescimento Anual) do PIB deve ser negativa pela primeira vez desde 1992 em -0,4%, com o risco de chegar a -1,1% no cenário de crescimento mais negativo.
O aumento do desemprego, a demanda fraca, a carga fiscal alta, bem como o impacto negativo da “Operação Lava Jato” na cadeia de abastecimento da Petrobras, provavelmente, terá implicações negativas sobre a qualidade dos ativos, pelo menos até o final do próximo ano. “Nós acreditamos que os indicadores atuais de qualidade dos ativos provavelmente não estão revelando a verdadeira imagem do que ainda está para vir, dado o elevado nível de créditos e renegociações em curso, tanto nos segmentos corporativos quanto individuais e dado o efeito retardado sobre a economia do maior desemprego e das medidas de ajuste fiscal. Acreditamos também que a deterioração da qualidade dos ativos tende a acelerar a partir de setembro de 2015 até junho de 2016”, avaliam os analistas.
No segmento de pessoas físicas, a análise aponta para uma deterioração significativa da relação entre o pagamento da dívida frente à renda disponível, devendo atingir o nível mais alto em 10 anos no primeiro trimestre de 2016. Excluindo hipotecas, deve atingir o mesmo nível elevado de2011. Com base na análise de inadimplência para os últimos 15 anos, os ciclos de qualidade de ativos indicam deterioração não só este ano mas também em 2016. “Um aumento de 40% nas despesas de provisão 2014-2016 parece uma suposição razoável para o sistema [financeiro], em nossa opinião”, avaliam os analistas.
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